Boi Gordo: Restrição de Oferta e Cenário Geopolítico Impulsionam Cotações no Mercado Pecuário

O mercado físico do boi gordo iniciou a semana com um tom de firmeza, registrando negociações pontuais acima das referências médias, em um ambiente predominantemente moldado pela persistente restrição de oferta. Analistas apontam para a continuidade das escalas de abate encurtadas em diversas regiões do país, fator que sustenta as cotações da arroba.

Fernando Henrique Iglesias, analista da renomada consultoria Safras & Mercado, ressalta que, embora o conflito no Irã não exerça um impacto direto e incisivo sobre as exportações brasileiras de carne bovina, a maior preocupação reside na potencial elevação dos custos logísticos. O possível fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial, bem como a consequente escalada dos preços do petróleo, representam vetores de encarecimento que podem repercutir em toda a cadeia produtiva.

Adicionalmente, Iglesias sublinha a influência da apreensão acerca de um eventual esgotamento precoce da cota de importação chinesa, cenário que impactou significativamente os contratos futuros do boi gordo negociados na B3. Contudo, o ritmo atual dos embarques de carne bovina sinaliza que o esgotamento dessa cota é mais provável que ocorra apenas entre os meses de julho e agosto, mitigando as preocupações de curto prazo.

Acompanhando esse panorama, os preços médios da arroba do boi gordo registraram ligeiras variações positivas em importantes praças pecuárias do Brasil nesta segunda-feira. Em São Paulo, a arroba foi precificada a R$ 356,75, em comparação aos R$ 356,17 registrados na sexta-feira. Goiás apresentou um valor de R$ 336,25 (ante R$ 336,07); Minas Gerais alcançou R$ 342,35 (frente a R$ 341,76); Mato Grosso do Sul, R$ 341,36 (contra R$ 340,91); e Mato Grosso, R$ 339,12 (comparado a R$ 338,72 do fechamento da semana anterior).

No mercado atacadista de carne bovina, os preços mantiveram-se acomodados ao longo do dia. O analista indica que o ambiente de negócios ainda vislumbra um certo espaço para elevação nas cotações da carne com osso, todavia, prevê-se que tal movimento ocorra de forma moderada, sem grandes sobressaltos.

Fernando Henrique Iglesias enfatiza que a carne bovina continua a enfrentar desafios em sua competitividade frente a proteínas concorrentes, notadamente a carne de frango, que oferece alternativas mais acessíveis ao consumidor. As cotações para os principais cortes no atacado permaneceram estáveis: o quarto dianteiro precificado a R$ 21,00 por quilo; o quarto traseiro cotado a R$ 27,00 por quilo; e a ponta de agulha mantendo-se a R$ 19,50 por quilo.

No cenário cambial, o dólar comercial encerrou a sessão com uma alta de 0,60%, sendo negociado a R$ 5,1642 para venda e R$ 5,1622 para compra. Durante o pregão, a moeda norte-americana demonstrou oscilação, atingindo uma mínima de R$ 5,1385 e uma máxima de R$ 5,2150, refletindo a volatilidade dos mercados financeiros globais.

Fonte: [NOTICIAS] CANAL RURAL

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