João Carlos Mansur, fundador da gestora de investimentos Reag, compareceu nesta quarta-feira (11) à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Em sua oitiva, Mansur confirmou a prestação de serviços ao Banco Master, mas negou categoricamente qualquer irregularidade nas transações com a instituição financeira, que foi posteriormente liquidada pelo Banco Central. A Reag é investigada pela Polícia Federal por suposto envolvimento em fraudes contra o sistema bancário associadas ao Banco Master, além de uma possível ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Durante o depoimento, Mansur defendeu a relação com o Banco Master, afirmando que era um cliente como “outros bancos, outras instituições financeiras e outras empresas de mercado”, descrevendo-o como uma relação comercial normal. Contudo, a gestora foi alvo da Operação Carbono Oculto no ano passado, que desvendou um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro, intensificando o escrutínio sobre suas atividades.
O empresário refutou veementemente qualquer conexão da Reag com os negócios do PCC. As investigações da Polícia Federal apontam que a facção teria aplicado R$ 30 bilhões em fundos de investimentos, dentre os quais a própria Reag, que também foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano. Mansur enfatizou que a Reag “trabalha de forma muito dirigente, muito consciente” e que, em 15 mil páginas do processo da Carbono Oculto, “não existe nenhuma menção à associação com o PCC”.
Mansur sugeriu que a Reag foi penalizada no mercado financeiro por sua dimensão e independência. Segundo ele, a gestora optou pelo mais alto nível de governança por ser uma administração independente, com nomes de referência no mercado e operações transparentes. “Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”, declarou. A liquidação da Reag pelo Banco Central ocorreu após a Polícia Federal indicá-la como parte da estrutura financeira que o Banco Master teria montado para supostas transações fraudulentas. A CPI também aprovou a quebra de sigilos e convocações de outras figuras relacionadas ao caso.
Fonte: POLÍTICA – Gazeta do Povo



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