A Empiricus Research implementou significativas alterações em sua carteira recomendada de ações internacionais para o mês de março. As modificações foram divulgadas em um contexto de volatilidade global e conflitos geopolíticos, refletindo uma análise aprofundada dos resultados do quarto trimestre de 2025 das companhias, publicados em fevereiro. A carteira em questão é composta por Brazilian Depositary Receipts (BDRs), oferecendo aos investidores brasileiros acesso a empresas estrangeiras.
Entre as posições que registraram aumento, destacam-se a Alphabet (GOOGL), a Visa e a Microsoft (MSFT34). A Alphabet e a Visa tiveram suas participações elevadas para 15% cada, enquanto a Microsoft dobrou seu peso na carteira, passando de 5% em fevereiro para 10% em março. O analista Enzo Pacheco, responsável pela carteira, elucidou as justificativas para tais movimentos estratégicos.
O aumento na exposição à Alphabet, segundo Pacheco, visa capitalizar um enfraquecimento temporário da ação, aproveitando o potencial de crescimento consistente da plataforma de nuvem Google Cloud e a aceleração do ciclo de Inteligência Artificial. A despeito dos riscos inerentes à competitividade no setor de ferramentas de pesquisa e às regulamentações sobre publicidade, a Alphabet apresenta uma diversificação de receitas robusta, incluindo assinaturas pagas, que atuam como um contraponto a potenciais impactos negativos.
A valorização da posição em Visa foi embasada nos resultados sólidos divulgados pela companhia, que superaram as expectativas do mercado. A empresa registrou um crescimento de receita e lucro acima de 10% pelo terceiro trimestre consecutivo, consolidando a tese de investimento da Empiricus, que também considera o preço de negociação do papel atrativo e um bom ponto de entrada para investidores. Para a Microsoft, Pacheco identificou boas perspectivas após uma recente desvalorização do papel desde a divulgação de seus resultados, encarando esse momento como uma “oportunidade para aumentarmos a posição a um preço mais favorável”.
Em contrapartida, algumas empresas tiveram suas participações reduzidas na carteira. As ações da Amazon, Berkshire Hathaway (BERK34) e TSMC (TSMC34) foram ajustadas para baixo. Amazon e Berkshire Hathaway caíram de 15% para 10% de peso, enquanto a TSMC teve sua fatia cortada pela metade, passando de 10% para 5%.
A diminuição da exposição à TSMC foi justificada por uma busca por teses de mercado mais favoráveis, considerando a valorização recente da ação. Apesar da redução, a análise da Empiricus ainda reitera a aposta em companhias do setor de semicondutores, avaliado como “essencial” para o cenário tecnológico global. A decisão demonstra um ajuste tático sem desconsiderar a relevância estratégica do segmento.
A redução nas posições de Berkshire Hathaway e Amazon seguiu uma lógica similar, de acordo com o relatório da Empiricus. Para a Berkshire, a decisão foi tomada preventivamente antes da divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, antecipando uma possível reação negativa do mercado. Esta previsão leva em conta a recente transição na liderança da companhia, com Greg Abel assumindo a gestão em janeiro, sucedendo Warren Buffett. A Amazon, por sua vez, teve sua posição reduzida com base em análises de mercado que sugerem a busca por maior diversificação ou ajuste de expectativas de valuation.
Apesar desses ajustes e da ressalva sobre o sentimento negativo que por vezes envolve o setor tecnológico, o analista Enzo Pacheco enfatiza que a Empiricus mantém sua exposição a teses de tecnologia. O relatório sublinha a busca constante pela diversificação da carteira como um pilar fundamental da estratégia de investimento, visando mitigar riscos e otimizar retornos em um ambiente de mercado dinâmico.
Fonte: TECNOLOGIA – Money Times