Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) trouxe à tona informações que levantam sérias questões sobre as movimentações financeiras do senador e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo o documento, revelado pelo portal g1, dois deputados federais do próprio partido teriam quitado faturas de cartão de crédito do senador em 2024, totalizando aproximadamente R$ 17 mil.
Os registros do Coaf indicam que Átila Lira (PP-PI) e Júlio Arcoverde (PP-PI), ambos membros do grupo político de Ciro no Piauí, efetuaram os pagamentos. Em 4 de junho de 2024, Átila Lira teria quitado um boleto de R$ 3.457 referente a uma fatura do Banco de Brasília (BRB) em nome de Ciro. Questionado, o parlamentar negou ter realizado a transação, atribuindo a informação a um possível equívoco da Caixa Econômica Federal. Duas semanas depois, em 19 de junho, Júlio Arcoverde teria pago outra fatura de R$ 13.693,54, justificando a ação como possível pedido feito durante viagens internacionais do senador.
Essas transações estão inseridas em um Relatório de Inteligência Financeira do Coaf que investiga a BK Instituição de Pagamento (BK Bank) por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), movimentando cerca de R$ 46 bilhões, conforme a Receita Federal. O relatório também aponta outras movimentações consideradas incomuns na conta do senador Ciro Nogueira, incluindo transferências para pessoas politicamente expostas e operações financeiras que não seriam compatíveis com seu perfil econômico. Uma remessa internacional de R$ 25,8 mil de um condomínio em Miami Beach, ligado ao ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro, também foi destacada.
A investigação também explora a proximidade entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, que é investigado por fraudes financeiras. Mensagens extraídas do celular do empresário descrevem o senador como ‘um grande amigo de vida’, e registros da Polícia Federal citam encontros entre os dois, incluindo uma viagem de helicóptero paga por uma empresa ligada a Vorcaro para levar Ciro a um evento de Fórmula 1. Em manifestações anteriores sobre o caso, Ciro Nogueira classificou os questionamentos como ‘absurdos’ e optou por não comentar o assunto.
Fonte: POLITICA – Revista Oeste