Em uma declaração contundente durante sua viagem à Espanha nesta sexta-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou o que ele descreveu como um processo de “enfraquecimento” alarmante da Organização das Nações Unidas (ONU). A crítica do líder brasileiro se concentrou na postura das nações fundadoras da instituição, as quais, segundo ele, desrespeitam suas próprias determinações ao ignorar as resoluções do órgão, minando sua credibilidade e eficácia no cenário global.
Lula articulou sua preocupação ao explicar que a força da ONU tem sido erodida principalmente pela ineficácia de seu Conselho de Segurança. Criado com o propósito primordial de assegurar a paz e a estabilidade mundial, o Conselho, na visão do presidente, não tem cumprido adequadamente seu papel. “A ONU perdeu sua força porque o Conselho de Segurança, criado para assegurar a paz, não está cumprindo seu papel. Os países que estabeleceram a organização não a valorizam e as resoluções acabam não saindo do papel”, enfatizou Lula, apontando para uma falha sistêmica na governança internacional.
O chefe do Executivo brasileiro também fez um paralelo histórico, salientando a aparente contradição na trajetória da ONU. Ele relembrou o papel crucial da organização no surgimento de Israel após o término da Segunda Guerra Mundial, reconhecendo sua capacidade de moldar o cenário geopolítico em momentos decisivos. Contudo, Lula contrastou essa capacidade histórica com a atual incapacidade da ONU em efetivar a autonomia política do Estado palestino, sugerindo uma seletividade ou falha em aplicar os mesmos princípios de autodeterminação e justiça em diferentes contextos.
Mais do que uma crítica isolada à ONU, Lula contextualizou o declínio da organização dentro de um cenário mais amplo de crise democrática global. Em sua análise, esta crise tem sido observada nos últimos tempos e é impulsionada por fatores como o acúmulo de riqueza nas mãos de uma minoria privilegiada e a consequente redução das garantias fundamentais para a maioria da população. Essa desigualdade crescente, argumentou ele, compromete a base sobre a qual as democracias foram construídas e operam.
Concluindo sua linha de raciocínio, o presidente brasileiro alertou para um “estado de alerta” que a população global vem experimentando. Ele observou que a democracia, outrora vista como o ápice do progresso social e responsável por estabelecer o bem-estar social, especialmente em solo europeu, tem sofrido sérios retrocessos. “Nas últimas duas décadas, em grande parte do mundo, os trabalhadores viram seus direitos diminuírem”, finalizou Lula, sublinhando a percepção de que os avanços sociais e democráticos estão em regressão, com impactos diretos na vida dos cidadãos e na estrutura das instituições internacionais.
Fonte: BAND JORNALISMO



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