Show ‘Embarcação’: Francis Hime e Simone Brilham no Rio

Francis Hime e Simone estrearam com sucesso o aguardado show ‘Embarcação’ no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro (RJ), no dia 5 de maio de 2026. A apresentação, que já se consolidou como um marco na programação cultural carioca, conduziu o público a uma jornada lírica e emocionante através do vasto cancioneiro de Hime, amplificado pela paixão e afeto mútuos dos artistas.

O espetáculo, que ocupará os palcos do Teatro Ipanema durante todas as terças-feiras de maio com ingressos já esgotados, celebra uma parceria musical que remonta a 50 anos. A história de colaboração entre Hime e Simone teve início em 1976, quando a cantora gravou ‘O que será (À flor da terra)’, de Chico Buarque, com arranjo de Francis, para a trilha sonora do filme ‘Dona flor e seus dois maridos’. Desde então, Simone se tornou uma das mais notáveis intérpretes da obra de Francis, destacando-se por versões icônicas como o samba ‘Embarcação’, que dá nome ao show.

Dirigido e roteirizado por Olivia Hime, o show ‘Embarcação’ navegou com notável serenidade e coesão, fruto de ensaios aprofundados e de uma admiração mútua palpável entre cantora e compositor. O prazer dos artistas em dividir o palco pela primeira vez em um formato tão íntimo e dedicado foi evidente, embora já tivessem se encontrado ocasionalmente em outras apresentações, como na estreia do último show solo de Francis, ‘Não navego pra chegar’, em 2025.

Simone, com sua voz grave e elegante, imergiu completamente no universo de Francis Hime, entregando interpretações memoráveis. Momentos de particular destaque incluíram sua performance solo de ‘Minha’ (Francis Hime e Ruy Guerra, 1966), acompanhada pelo piano do maestro, e o dueto emocionante em ‘Imaginada’ (2025), canção com alma de blues composta por Hime e Ivan Lins. No bis, ‘Sem mais adeus’ (Francis Hime e Vinicius de Moraes, 1963), com Simone ao piano de Francis, sublinhou o clima de aconchego e a maestria melódica do compositor.

A riqueza poética do cancioneiro de Francis Hime, com versos de parceiros como Chico Buarque, Geraldo Carneiro e Vinicius de Moraes, foi realçada pela contribuição dos instrumentistas. O violoncelo de Hugo Pilger, por exemplo, emocionou o público no arranjo de ‘Atrás da porta’ (Francis Hime e Chico Buarque, 1972), interpretada em solo por Francis – uma decisão sábia, reconhecendo a versão definitiva de Elis Regina. O tecladista Chico Lira, da banda de Simone, também brilhou, especialmente ao evocar nos teclados o arranjo de ‘O que será (À flor da pele)’ feito por Francis para Milton Nascimento, e ao adicionar toques percussivos em sambas como ‘Tô voltando’.

Além de sua poderosa voz, Simone demonstrou versatilidade ao incorporar percussão em vários momentos do show. Ela tocou tamborim em sambas como ‘Amor barato’, ‘Anoiteceu’ e ‘Samba pra Martinho’, este último em dueto com Francis. Um improviso a capella de ‘Café com leite’ foi um dos pontos altos, homenageando Martinho da Vila. A cantora também utilizou o bongô no bolero ‘Maravilha’, adicionando um toque cubano à composição de Hime e Chico Buarque, e tocou apito em ‘Passaredo’, demonstrando sua completa imersão e envolvimento no espetáculo.

Mesmo com ‘Vai passar’ (Chico Buarque e Francis Hime, 1984) entrando em cena com um tom menos majestoso no arremate do show, o brilho de ‘Embarcação’ permaneceu intacto. A visível satisfação de Simone e Francis, aprofundada em cada interpretação e detalhe cênico, consagrou a estreia como uma celebração não apenas do encontro artístico, mas também da resiliência e da vitalidade da Música Popular Brasileira, reafirmando que, sim, existe um céu na música brasileira.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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