Agência processa NYT por discriminação de funcionário branco

A agência federal de direitos civis dos Estados Unidos, a Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego (EEOC, na sigla em inglês), entrou com uma ação judicial contra o renomado jornal The New York Times. A denúncia centraliza-se na alegação de discriminação contra um funcionário branco que não teria sido promovido, em um caso que levanta questões sobre políticas de diversidade e equidade no ambiente de trabalho.

De acordo com o processo, o jornal teria deliberadamente preterido o homem para favorecer uma mulher supostamente menos qualificada. A motivação por trás dessa decisão, segundo a EEOC, seria o objetivo de cumprir as metas públicas de diversidade estabelecidas pela própria empresa. O editor em questão, que trabalha no jornal desde 2014 e possui experiência relevante na área, afirma ter sido vítima de discriminação de gênero e raça ao não conseguir a vaga de editor-adjunto de imóveis em 2025.

A ação legal se fundamenta no Título VII da Civil Rights Act de 1964, uma legislação que proíbe expressamente a discriminação no trabalho com base em sexo, raça, origem nacional ou religião. Em resposta às acusações, a porta-voz do The New York Times, Danielle Rhoades Ha, declarou que a ação da EEOC é “politicamente motivada” e que o jornal está preparado para se defender “com vigor”, sugerindo uma disputa legal intensa.

A EEOC argumenta que as metas públicas do New York Times para aumentar a representação de mulheres e minorias em cargos de liderança influenciaram diretamente a decisão de não promover o funcionário. O processo detalha que o homem branco teria sido excluído da etapa final do processo seletivo, enquanto três mulheres e um homem negro avançaram. A presidente da EEOC, Andrea Lucas, conhecida por ser aliada das políticas do governo Donald Trump contra programas corporativos de diversidade, enfatizou que “nenhuma instituição está acima da lei” e já incentivou homens brancos a denunciar casos de discriminação.

O processo destaca um contraste entre o perfil do funcionário preterido e a candidata escolhida. Enquanto o funcionário tem experiência considerável, inclusive com cobertura imobiliária, a mulher selecionada para o cargo, segundo a ação, não possuía experiência na área. A EEOC afirma que a escolha da mulher se deu por ela “se encaixar nas características de raça e gênero” que o jornal buscava ampliar em sua liderança.

Ademais, a denúncia cita políticas específicas de diversidade do jornal, como um plano lançado em 2021 que visava aumentar em 50% o número de líderes negros e latinos até 2025. Embora essa meta tenha sido atingida já em 2022, o processo aponta que a empresa manteve a implementação dos programas. Em 2024, dados indicavam que funcionários brancos representavam 68% da liderança do jornal, em comparação com 29% de pessoas não brancas.

A ação da EEOC tem gerado debates, com críticos argumentando que tais medidas podem atacar iniciativas legítimas que buscam corrigir desigualdades históricas no mercado de trabalho dos EUA. A agência, no entanto, demonstra um padrão de atuação, tendo investigado outras empresas, como a Nike, que foi alvo de apuração em fevereiro por suposta discriminação racial contra funcionários brancos.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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