Medo da Violência Restringe Mobilidade de Mulheres

Uma pesquisa recente do Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela um cenário preocupante sobre a percepção de segurança entre as mulheres brasileiras. O estudo “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” aponta que mais da metade das mulheres do país — especificamente 56,8% — afirma sentir medo de circular pela própria vizinhança após o anoitecer. Este índice contrasta significativamente com o dos homens, onde 37,7% expressam o mesmo temor.

A percepção de insegurança feminina vai além do medo de transitar nas ruas, afetando diretamente a rotina e a liberdade de mobilidade. O levantamento indica que 40,9% das mulheres deixaram de sair à noite nos últimos doze meses por receio da violência, uma porcentagem consideravelmente maior do que a observada entre os homens, que foi de 29,8%. Este dado sublinha como o medo imposto pela violência restringe ativamente as atividades sociais e pessoais das mulheres.

O estudo enfatiza que o medo feminino é caracterizado por ser “totalizante”, permeando diversas esferas da vida cotidiana: “a rua, a casa, o corpo e a rotina”. Um dos pontos mais críticos e expressivos da pesquisa é o receio de sofrer agressão sexual. Um alarmante percentual de 82,6% das mulheres entrevistadas declarou ter medo de ser vítima de violência sexual, enquanto entre os homens este índice é de 48,6%. Essa discrepância é classificada como um dos deslocamentos mais significativos na comparação entre os gêneros, evidenciando uma vulnerabilidade percebida muito maior entre as mulheres.

Corroborando a gravidade dessa preocupação, dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 indicam que mulheres representam a esmagadora maioria das vítimas de estupro e estupro de vulnerável no país, atingindo 87,7%. Esses números reforçam a base real para o medo generalizado e a percepção de insegurança que afetam profundamente a população feminina.

Para a realização da pesquisa, o Datafolha entrevistou presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais. As entrevistas foram conduzidas em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março. A margem de erro geral para os resultados é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. Contudo, é importante notar que a margem de erro pode variar em recortes específicos por tipo de crime.

Fonte: NOTICIAS – SBT NEWS

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