A Alemanha e a Ucrânia anunciaram uma significativa elevação em sua relação bilateral, transicionando de um status de doador de ajuda militar para uma parceria de defesa estratégica. O anúncio, feito pelo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, em Kiev nesta segunda-feira (11), marca uma transição para uma cooperação mais profunda e abrangente, com foco especial no desenvolvimento conjunto de sistemas de armas, em vez de apenas transferências.
Seis projetos conjuntos já estão em andamento, destacando-se a produção de drones de ataque. Durante sua visita à capital ucraniana, onde se reuniu com o homólogo Rustem Umerov e o presidente Volodymyr Zelensky, Pistorius enfatizou a natureza estratégica da nova parceria. “Somos parceiros estratégicos. Por um lado, continuamos a apoiar vocês na sua luta defensiva, mas, por outro, estamos cada vez mais construindo uma parceria estruturada, de longo prazo, que deve ser levada em conta”, declarou o ministro alemão. Os ministros também assinaram uma declaração de intenções para colaboração por meio da plataforma Brave One, que visa apoiar desenvolvedores de inovações promissoras, e planejam a criação de novas joint ventures teuto-ucranianas, reforçando a visão de que a Ucrânia evoluiu de um “consumidor de segurança” para um “fornecedor de segurança”.
Ao chegar a Kiev, em uma visita não anunciada, Pistorius detalhou que o principal foco dessa colaboração será o desenvolvimento conjunto de “sistemas não tripulados de última geração em todas as categorias, particularmente na área de ataques de longo alcance”. Outras prioridades incluem a troca de dados e ferramentas analíticas para uma rápida análise situacional no campo de batalha. Desde o início do conflito com a Rússia, a Ucrânia tem se destacado no desenvolvimento de armas próprias para compensar a carência de armamentos de maior alcance, tornando-se uma referência mundial no uso de drones em combate. A capacidade de “deep strike”, que permite destruir alvos importantes muito além das linhas inimigas, é crucial e áreas onde parceiros europeus da OTAN ainda apresentam lacunas de capacidade, as quais, segundo Pistorius, necessitam ser supridas com urgência.
A Alemanha tem expandido consistentemente seu apoio à Ucrânia, buscando agora envolver mais investidores privados alemães no suporte a empresas de defesa ucranianas e na participação em joint ventures. Para facilitar esse objetivo, o Ministério da Defesa em Berlim realizou recentemente uma videoconferência inédita com representantes do governo ucraniano, incluindo bancos, fundos e outros participantes do setor financeiro. Em meados de abril, os governos já haviam formalizado uma “parceria estratégica” e prometido ajuda militar adicional, que inclui o financiamento alemão para um contrato da Ucrânia com a Raytheon para mísseis Patriot e um acordo com a Diehl Defence para mais lançadores de sistemas de defesa aérea Iris-T.
A produção de drones de médio e longo alcance também foi acordada, com planos para a criação de uma joint venture que visa fornecer milhares desses equipamentos. Em fevereiro, o primeiro drone de fabricação teuto-ucraniana já havia sido entregue, parte de uma iniciativa maior para abastecer os soldados ucranianos com 10 mil drones por ano. No entanto, a parceria enfrentou um incidente diplomático quando o CEO da Rheinmetall, uma gigante alemã do setor de defesa, referiu-se aos fabricantes de drones ucranianos como “donas de casa” que “brincam de Lego em suas cozinhas”. O presidente Zelensky prontamente rebateu a declaração, afirmando que, se isso fosse verdade, “toda dona de casa na Ucrânia poderia ser CEO da Rheinmetall”.
Fonte: BAND JORNALISMO