Após o sucesso estrondoso de seu álbum de estreia em 2024, ‘Os Garotin de São Gonçalo’, o trio fluminense Os Garotin lançou seu segundo trabalho, ‘Força da Juventude’, na noite de 14 de maio. A expectativa em torno deste novo disco era naturalmente alta, dado o impacto do álbum anterior, que misturou com maestria black music norte-americana, como soul e R&B, com o suingue pop tropical e ritmos brasileiros, como o samba, exalando um frescor inovador no cenário musical.
A principal boa-nova é que a essência e o frescor que marcaram sua estreia permanecem intactos em ‘Força da Juventude’, que novamente conta com a produção musical de Julio Raposo. Contudo, há uma clara evolução e ambição no novo projeto. As oportunidades e possibilidades abertas para Leonardo Guimarães (Leo Guima), Lucas Anchieta (Anchietx) e Victor Cupertino, os talentosos artistas de São Gonçalo (RJ), foram plenamente aproveitadas.
Os Garotin exploraram novas direções, como a inclusão das luxuosas cordas do maestro Arthur Verocai na faixa ‘Uma noite só’, e a colaboração com a aclamada cantora Liniker em ‘Simples assim’, uma das músicas já antecipadas no EP ‘Session 2’. Apesar dessas significativas conquistas e expansões sonoras, o trio demonstrou habilidade em conciliar o crescimento com a energia e a pegada características de seu álbum de estreia, garantindo que a nova roupagem não ofuscasse a identidade original.
O vigor de ‘Força da Juventude’ reside justamente nessa harmonização. O álbum apresenta-se como um trabalho coeso, mantendo o ritmo e a intensidade ao longo de suas 13 faixas autorais, que transitam entre momentos mais lentos e outros mais dançantes, como ‘Fantástica’, criada para explorar a sensualidade pop. Tudo soa mais elaborado e cuidadosamente pensado, incluindo as harmonias vocais, mas sem perder a espontaneidade que é marca registrada do grupo.
Os Garotin amadureceram, mas preservam a jovialidade de quem celebra a vida, o amor e a dança. ‘Força da Juventude’ é um disco intrinsecamente feliz, mergulhado no soul e R&B, com toques de rap evidentes na batida boom bap de ‘Hoje eu vou me dar bem’ e na participação de BK em ‘Se joga’, faixa que também conta com Marina Sena. O R&B permeia o interlúdio ‘Gimme just one night’ e canções como ‘Baby não vá’ e ‘Deixa eu te encontrar’, esta última com a voz da cantora norte-americana Malia.
O mosaico de referências do segundo álbum também revisita a brasilidade carioca, presente em ‘Nossa resenha’ (2024) com Caetano Veloso. Em ‘Força da Juventude’, essa brasilidade reverbera no balanço pop tropical de ‘Soul brasileiro’, que, desta vez, ganha o suingue nordestino de Lenine, que ainda cita ao fim da faixa ‘Jack soul brasileiro’, conectando-se à rica herança de Jackson do Pandeiro. Embora se expandam globalmente, Os Garotin fazem questão de reforçar suas raízes em São Gonçalo, como bradam em ‘Falador’, com a energia aditivada do rap de 2ZDinizz.
Com ‘Força da Juventude’, Os Garotin não apenas cumprem as altas expectativas, mas as superam, confirmando-se como um dos talentos mais proeminentes da música brasileira do século XXI. Seu azeitado som pop black tropical demonstra um primoroso segundo álbum que, ao mesmo tempo que evolui e se aprofunda, conserva o frescor e a energia que marcaram seu vigoroso disco de estreia.
Fonte: Cultura e Arte – G1