A era digital, embora prometa conectar pessoas e amplificar vozes, tem testemunhado um fenômeno preocupante: a ascensão da popularidade artificial e do engajamento fabricado. Plataformas como o Instagram, em particular, têm se tornado palcos para o que se assemelha a um “teatro de marionetes digitais”, onde perfis vazios, fotos roubadas e comentários padronizados orquestram uma simulação de paixão e apoio popular. Essa dinâmica, muitas vezes, serve para inflar egos de figuras públicas e candidatos, distorcendo a percepção da opinião pública genuína.
Diferentemente de algumas plataformas, como o X (antigo Twitter), onde a liderança reconhece publicamente a existência e o combate diário a milhares de bots, no Instagram a situação parece mais insidiosa. A sensação é de que uma cidade digital foi abandonada aos robôs, que agora ocupam os espaços de interação, desde comentários em publicações até a simulação de debates e aplausos. A histeria e o entusiasmo industrializados sugerem que a própria opinião pública pode ter sido terceirizada para operações clandestinas de cliques e engajamento.
O mais alarmante é que a natureza inorgânica dessa atividade é frequentemente perceptível. A ausência de espontaneidade, de contradições humanas e do “cheiro de gente” autêntico torna evidente a coreografia artificial. Perfis surgem simultaneamente para amplificar mensagens, criar tendências e fabricar uma relevância que não se sustenta na realidade. Não há paixão orgânica, apenas uma fachada cuidadosamente construída para manipular a percepção e o alcance das mensagens.
Essa prática não é apenas antiética; ela é fundamentalmente falsa. Ao transformar o apoio e a popularidade em um mero efeito especial barato, desvaloriza-se a essência da interação humana e da formação de opinião. Mais do que isso, a popularidade de aluguel expõe uma verdade incômoda: a disposição de alguns em comprar aplausos e reconhecimento, em vez de conquistá-los legitimamente pelo mérito e pela autenticidade de suas propostas ou personalidades. É um reflexo da superficialidade que pode permear as interações no ambiente digital.
Fonte: NOTICIAS – Pleno News