O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro retomou, na manhã desta terça-feira (26), o aguardado julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e de Monique Medeiros, ambos acusados pela morte do menino Henry Borel, de apenas 4 anos. A sessão marca mais uma etapa crucial em um caso que chocou o país e mobilizou a opinião pública.
A sessão foi aberta pontualmente às 9h45 com o depoimento do delegado Edson Henrique Damasceno, que na época da trágica morte de Henry, era o titular da 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca). Damasceno teve um papel central na investigação, sendo o responsável por indiciar e decretar a prisão de Jairinho e Monique. Para este segundo dia de julgamento, estão previstos os depoimentos de mais duas testemunhas de acusação: a delegada Ana Carolina Lemos Medeiros de Caldas, que também participou ativamente das investigações, e o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva.
Ao todo, um total de 27 testemunhas, entre acusação e defesa, serão ouvidas ao longo do processo. A expectativa é que o julgamento se estenda por um período de cinco a sete dias, ocorrendo no 2º Tribunal do Júri da Capital, localizado no Fórum Central do Rio de Janeiro. O início do julgamento, na última segunda-feira (25), foi marcado por momentos de indefinição e controvérsia, principalmente em relação à defesa do ex-vereador Jairinho.
Jairinho surpreendeu ao destituir sua banca de advogados, alegando o enfarte de Fabiano Lopes, um dos defensores do ex-parlamentar, como motivo para a mudança. Diante dessa manobra, o Ministério Público do Rio de Janeiro protocolou um pedido de transferência do réu da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), conhecida por abrigar presos de casos de repercussão e colarinho branco, para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1), uma unidade de segurança máxima que custodia detentos considerados mais perigosos.
Paralelamente, a defesa de Monique Medeiros, conduzida pelo advogado Hugo Novais, argumentou veementemente contra o desmembramento do julgamento de sua cliente, ressaltando que ela é acusada de homicídio por omissão, o que implicaria uma análise conjunta do caso. A juíza Elisabeth Machado Louro chegou a sinalizar a possibilidade de adiamento do julgamento e de acolher o pedido do Ministério Público para a transferência de Jairinho. No entanto, em um momento de reviravolta, o ex-vereador interrompeu a magistrada e reconstituiu sua defesa, incorporando à equipe jurídica seu próprio filho, o advogado Luís Fernando Abidul, de 28 anos.
A morte de Henry Borel ocorreu na madrugada de 8 de março de 2021. O menino, então com 4 anos, vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o então vereador Dr. Jairinho, em um apartamento na Barra da Tijuca. Inicialmente, o casal apresentou a versão de um acidente doméstico, como uma queda da cama. Contudo, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) refutou essa hipótese, revelando a brutalidade do ocorrido.
O exame pericial indicou que a criança sofreu hemorragia interna e laceração hepática, lesões causadas por ação contundente, com um total alarmante de 23 lesões identificadas em seu pequeno corpo. As investigações da Polícia Civil apontaram que Henry era submetido a um padrão de agressões por parte de Dr. Jairinho. Mensagens recuperadas de telefones celulares corroboraram que Monique Medeiros tinha pleno conhecimento das agressões sofridas pelo filho antes da noite do crime, o que agrava a acusação de omissão. O caso gerou grande comoção em todo o território nacional, resultando na cassação do mandato de Jairinho e na criação da Lei Henry Borel, que representa um marco ao endurecer as punições para crimes de violência doméstica contra crianças e adolescentes, buscando proteger os mais vulneráveis em nossa sociedade.
Fonte: BAND JORNALISMO