O cantor e influenciador digital Leo Stronda, de 33 anos, comunicou o cancelamento definitivo de seu projeto musical que abordava o estilo de vida “maromba” para o restante do ano de 2026. A decisão foi anunciada em um vídeo publicado nas redes sociais no último domingo (31), sendo motivada pela trágica morte do fisiculturista Gabriel Ganley.
Em seu pronunciamento, Stronda expressou profundo arrependimento por ter, segundo ele, incentivado o amigo ao uso de esteroides anabolizantes. O influenciador pediu desculpas publicamente a Deus e revelou que Gabriel Ganley havia sido convidado para participar da gravação de um novo videoclipe no mesmo dia em que foi encontrado sem vida. A série de lançamentos, que agora é interrompida, havia começado em março com a faixa “Segue o líder”, e em abril com “Clenbuterol”.
A primeira faixa, “Segue o líder”, apresentava Gabriel Ganley em cena, treinando ao lado de outros influenciadores e atletas do universo maromba. A letra da música exalta a alta performance e a superação no esporte, com versos como “Acordei mais forte, acionei meus aliados / A carga vai subir com o treino mais pesado / Animal de grande porte, tô suplementado / Pioneiro desde sempre líder de mercado”.
Em 1º de abril de 2026, foi lançada “Clenbuterol”, uma música com teor ainda mais direto. A letra aborda explicitamente o uso de substâncias e a percepção de ausência de efeitos colaterais adversos: “Cada dia mais seco / Cortando igual cerol / Feromônio exalando / E treinando como animal / Todo mundo perguntando ‘o que é que houve com esse cara?’ / Ele tá tomando tudo / E não tem colateral”. Os comentários do vídeo no YouTube, que já acumulou mais de 200 mil visualizações, foram desativados.
O videoclipe de “Clenbuterol” apresenta uma narrativa visual que gerou controvérsia. Na trama, Leo Stronda interpreta um veterinário e fazendeiro que se dedica à “alquimia” com animais, descobrindo uma fórmula milagrosa de cor verde. Este composto, no enredo, acelera o desempenho de cavalos em corridas e provoca um aumento massivo da massa muscular dos animais. A história escala para um ponto onde Stronda é perseguido e capturado por uma agência governamental secreta, que inicia experimentos com a fórmula para criar o que o roteiro descreve como uma “besta, uma aberração entre homem e animal”.
Apesar de o material audiovisual conter um aviso formal de que o produto retratado é de uso exclusivo animal e contraindicado para humanos, reforçando que se trata de mera ficção, a abordagem sobre substâncias como o clenbuterol – que é um medicamento veterinário frequentemente desviado para fins estéticos de queima de gordura – levanta questões sensíveis.
Não é a primeira vez que Leo Stronda aborda o tema de anabolizantes em sua discografia. Em 2020, o artista havia lançado o single “Veneno”, cuja letra também explorava diretamente o consumo de compostos químicos no fisiculturismo, com trechos como “Faço o que eu quero / Tomo o que eu quero / Treino o que eu quero / O segredo eu não entrego (…) O que corre na minha veia é sangue de monstro”.
Reconhecido por sua trajetória musical como vocalista do grupo Bonde da Stronda até 2023, Stronda vinha conciliando sua carreira musical com a de criador de conteúdo fitness. Em seu pronunciamento, além do arrependimento, ele fez um alerta sobre o uso de insulina no meio esportivo, confirmando que a perda de Gabriel Ganley resultará em mudanças radicais em seu calendário e em sua linha editorial de lançamentos futuros.
Fonte: Cultura e Arte – G1