John Travolta dedica filme e fala sobre luto e otimismo

O renomado ator John Travolta abordou publicamente suas experiências com o luto e o otimismo, um tema central que perpassa a dedicação de seu mais recente filme a entes queridos. A estrela enfrentou perdas significativas ao longo dos anos, incluindo a morte de seu filho Jett Travolta, aos 16 anos, em 2009, decorrente de uma convulsão que o levou a uma queda. Onze anos depois, em 2020, sua esposa, Kelly Preston, faleceu aos 57 anos, dois anos após ser diagnosticada com câncer de mama.

Em uma declaração emocionada, Travolta explicou a inspiração por trás de sua obra: “Dediquei o filme a Kelly, ao meu filho Jett, aos meus irmãos e irmãs, à minha mãe e ao meu pai, porque eles são a inspiração para este filme”. A produção é uma adaptação de um livro homônimo, “Propeller One-Way Night Coach”, escrito pelo próprio Travolta e lançado em 1997. A aventura infantil foi concebida originalmente como uma história para Jett, inspirada no primeiro voo feito pelo autor em sua infância.

Questionado sobre como consegue manter o otimismo diante de tanta dor e perda, o ator revelou a uma publicação italiana que, embora a vida o tenha “certamente testado”, sua “natureza é buscar o lado positivo, mesmo diante do pior”. Ele enfatizou: “Não fui feito para permanecer imerso na escuridão. Posso olhar para a escuridão, mas não escolho morrer nessa escuridão.”

O filme, que também conta com a participação da filha de Travolta, Ella Bleu Travolta, é uma obra familiar que retrata os Estados Unidos de 1962 pelos olhos de Jeff, um menino de 8 anos. A narrativa não se esquiva de temas históricos complexos, como os campos de concentração nazistas, mas mantém a perspectiva inocente de uma criança. “Eu queria essa sinceridade”, afirmou o cineasta. “A esperança e a resiliência de uma criança são únicas; nós, adultos, esquecemos o que isso significa. Quando criança, eu sempre via o copo meio cheio; pensava que a vida poderia ser melhor.” Travolta reforçou sua mensagem de esperança: “Mesmo quando ouvia notícias terríveis, como quando o filme fala sobre os campos de concentração, ou quando o louco aparece, ele vê escuridão e dor, e logo se levanta novamente.” Ele expressa a esperança de que o público “redescobrirá esse olhar de esperança”, lembrando que em 1962 “não éramos tão oprimidos pela obrigação de sempre olhar para o lado sombrio da vida”.

O artista apresentou seu filme no Festival de Cannes em maio, onde foi honrado inesperadamente com a Palma de Ouro. Na ocasião, Travolta rememorou sua primeira aparição no evento com o icônico “Pulp Fiction”, em 1994. Ele recordou o momento em que, sentado com sua esposa na exibição no Palais, assistiu à cena do Jack Rabbit Slims, onde seu personagem entra no restaurante. “Minha esposa me agarra e diz: ‘Querido, você se dá conta do que se trata este filme?’ Eu descobri junto com o mundo. É a minha lembrança mais forte”, disse.

Recentemente, Ella Bleu, que interpreta Doris, uma comissária de bordo no filme, prestou homenagem a seus pais na estreia em Nova York. A atriz compartilhou com a revista People que ambos sempre a apoiaram em sua decisão de seguir a carreira artística. “Mesmo se eu tivesse decidido fazer outra coisa no final, eles também teriam me apoiado”, declarou. “Mas acho que eles ficaram felizes porque gostam muito desse trabalho, e eu o amo igualmente. Então, acho que eles simplesmente ficaram felizes por eu gostar tanto de fazer algo assim.”

Fonte: MUSICA – PORTAL ROLLINGSTONE

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