O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) inaugurou uma nova e estratégica fase em sua pré-campanha presidencial, direcionando esforços para a construção de sólidos palanques estaduais. Essa abordagem visa não apenas a solidificação de sua candidatura, mas também o acirramento da polarização política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma tática central para o Partido Liberal (PL).
A agenda recente do senador ilustra essa prioridade. Após participar do lançamento da pré-candidatura de Sergio Moro ao governo do Paraná na semana anterior, Flávio Bolsonaro desembarcou em Minas Gerais para uma visita de três dias. O estado mineiro é considerado crucial para o PL, dado que possui o segundo maior colégio eleitoral do país e historicamente desempenha um papel decisivo nas disputas presidenciais.
Durante sua estada em Minas, a programação de Flávio incluiu encontros com figuras políticas e empresariais, participação em eventos do agronegócio e atos destinados a fortalecer sua pré-candidatura. A orientação interna do PL é clara: focar a presença do senador em estados onde as negociações eleitorais já apresentam um avanço significativo ou em regiões estratégicas para a consolidação do projeto presidencial da legenda.
A passagem por Belo Horizonte é vista por integrantes do PL como um catalisador para destravar conversas e impulsionar a formação do palanque de direita no estado. Embora haja uma sinalização para uma aliança entre PL e Republicanos, a definição sobre quem liderará a chapa ao governo estadual ainda permanece em aberto. O nome mais proeminente é o do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que deve anunciar sua decisão sobre a disputa pelo Palácio Tiradentes nos próximos dias.
Em entrevista recente à rádio Itatiaia, Flávio Bolsonaro expressou seu desejo de construir um consenso entre os partidos e teceu elogios a Cleitinho. “Cleitinho é um grande quadro. É senador comigo lá em Brasília, é uma pessoa que fala com o coração, uma pessoa que tem um olhar para as pessoas que mais precisam. Gostaria muito de caminhar ao lado dele aqui em Minas Gerais”, declarou. O senador do PL defendeu a formação de uma “frente ampla” da direita no estado e indicou que considera Cleitinho apto a encabeçar a chapa ao governo, afirmando: “A possibilidade que está na mesa é o Cleitinho ser o cabeça de chapa, nosso candidato a governador.”
Em outro front, no Rio de Janeiro, o desafio reside em evitar que eventuais turbulências locais impactem negativamente a candidatura presidencial de Flávio. O estado é o principal reduto eleitoral da família Bolsonaro e concentra uma parte substancial da estrutura política que dará suporte à campanha do senador. A intensificação das articulações no Rio ocorreu após a desistência do ex-governador Cláudio Castro da disputa ao Senado, em meio a investigações da Polícia Federal.
A avaliação de aliados de Flávio era que a permanência de Castro na chapa poderia gerar um foco constante de desgaste durante a campanha. Com a vaga em aberto, a disputa passou a envolver lideranças do próprio PL, como os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do senador Carlos Portinho. A expectativa é que a vaga permaneça com o partido, alinhando-se à estratégia de construir um palanque plenamente coeso com a candidatura de Flávio. A decisão final, contudo, caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que analisará os nomes levando em conta pesquisas eleitorais e o potencial de cada um para fortalecer o desempenho do PL no estado.
Além da estruturação da candidatura presidencial, a montagem dos palanques estaduais é vista pelo PL como um pilar fundamental para expandir a presença da direita no Congresso Nacional a partir de 2027. Flávio Bolsonaro reiterou, durante sua agenda em Belo Horizonte, que a eleição de um presidente alinhado ao campo conservador deve ser acompanhada pela formação de uma maioria parlamentar capaz de aprovar reformas constitucionais e sustentar a agenda do partido. Ele defendeu que a combinação de um governo de centro-direita com um Congresso conservador proporcionaria a previsibilidade necessária para atrair investimentos e impulsionar o crescimento econômico em áreas como infraestrutura, licenciamento ambiental e segurança jurídica.
Essa estratégia de consolidação interna e externa ocorre em paralelo ao acirramento da polarização com o presidente Lula. Recentemente, Lula direcionou críticas a Flávio Bolsonaro em um discurso em Goiás, acusando-o de agir contra os interesses nacionais ao dialogar com integrantes do governo americano sobre possíveis aumentos de tarifas sobre produtos brasileiros. O presidente chegou a qualificá-lo de “traidor”, alegando que tais medidas prejudicariam empresários, trabalhadores e o agronegócio nacional.
Flávio Bolsonaro respondeu às acusações, afirmando ter pedido pessoalmente ao então presidente dos EUA, Donald Trump, ao vice-presidente, J.D. Vance, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, que não impusessem tarifas às empresas brasileiras. Segundo o senador, as críticas americanas não visavam os produtores nacionais, mas sim o governo Lula, contextualizando o embate em uma disputa mais ampla sobre a política externa e econômica do Brasil.
Fonte: POLÍTICA – Gazeta do Povo