[VÍDEO] TSE barra pesquisa eleitoral associando Flávio a Vorcaro

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Ministro Nunes Marques, determinou o impedimento da divulgação de uma pesquisa do instituto AtlasIntel que, segundo os autos, associava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. A decisão foi proferida por meio de uma liminar de urgência, após o ministro identificar indícios de manipulação que poderiam prejudicar a imagem do pré-candidato da oposição na corrida eleitoral.

A ação que levou à intervenção do TSE foi formalizada pela cúpula do Partido Liberal (PL). Os advogados do partido alegaram que a metodologia empregada pela empresa de estatística estruturou as perguntas de forma tendenciosa, com o claro objetivo de gerar uma percepção negativa do parlamentar, desviando-se da prática regular de apuração da opinião pública. Uma das principais críticas foi a inclusão de áudios vazados de investigações policiais envolvendo conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro no questionário, o que, de acordo com o presidente do TSE, tinha a finalidade de “contaminar” as respostas dos eleitores.

Em seu despacho, o Ministro Nunes Marques enfatizou a gravidade da manobra. Em uma análise preliminar, o magistrado constatou que os dados coletados pela pesquisa revelam uma distorção notável, provocada diretamente pelo método de abordagem adotado. “Os elementos trazidos aos autos reforçam os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, afirmou o presidente do TSE, ao acolher os argumentos da defesa de Flávio Bolsonaro sobre os danos causados pela inserção do arquivo de áudio nas entrevistas. Para o ministro, o questionário foi desvirtuado e perdeu sua função legítima de termômetro das tendências políticas do eleitorado nacional, criticando a drástica alteração na conduta do instituto.

Nunes Marques observou que “há indicativos de que a pesquisa possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”. Para embasar sua decisão, o ministro analisou o histórico da AtlasIntel e verificou que 27 outras pesquisas registradas pela empresa não fizeram uso de arquivos de áudio nem de perguntas com estrutura similar à da sondagem contestada. Diante disso, o ministro concluiu que a metodologia estatística foi corrompida para induzir o cidadão a respostas específicas.

Como desdobramento da decisão, o magistrado determinou que os responsáveis entreguem os relatórios técnicos complementares e concedeu um prazo de 24 horas para que o Ministério Público Eleitoral se manifeste sobre a possibilidade de fraude. A pesquisa sob suspeita havia se tornado pública em 19 de maio, pouco após o vazamento de conversas sobre o financiamento do filme ‘Dark Horse’, que aborda a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. O relatório impugnado indicava uma reviravolta no cenário eleitoral em menos de um mês, mostrando Lula com 48,9% das intenções de voto, enquanto o filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro, registrava uma queda para 41,8%. Em um levantamento anterior, realizado em abril, o senador liderava a disputa de segundo turno contra o presidente Lula, com 47,8% a 47,5%, respectivamente, o que representava uma perda de seis pontos percentuais para o pré-candidato da oposição na pesquisa contestada.

O PL sustentou na ação judicial que a sequência dos temas e a associação direta do nome do senador ao banqueiro investigado comprometeram a integridade do resultado final. A liminar de Nunes Marques impede que o instituto divulgue os dados em qualquer meio oficial. Dois ex-ministros do TSE, consultados pela Revista Oeste, consideraram a decisão do presidente do tribunal como substancial, com um deles afirmando que o magistrado impediu um “desequilíbrio no pleito eleitoral” e outro complementando que “a Justiça Eleitoral não exige apenas rigor estatístico, mas também que o questionário não funcione como instrumento de persuasão”.

Fonte: POLITICA – Revista Oeste

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