Laser Íntimo: Cresce Procura Após Exposição de Giovanna Antonelli

A busca por procedimentos de laser íntimo tem experimentado um notável crescimento, impulsionada em parte pela visibilidade conferida por figuras públicas como a atriz Giovanna Antonelli. Mulheres de diversas idades buscam esses tratamentos para combater desconfortos, melhorar a lubrificação e tratar a flacidez, condições frequentemente associadas ao processo natural de envelhecimento, à menopausa e às consequências do parto. A ginecologia regenerativa, um campo em expansão, oferece uma gama de soluções que vão desde o laser até injeções de ácido hialurônico, além de cirurgias como a perineoplastia para correções anatômicas.

Giovanna Antonelli, aos 50 anos, utilizou suas plataformas de mídia social para compartilhar sua experiência com um procedimento íntimo a laser, trazendo para o centro das atenções um assunto que ainda gera muitas dúvidas. Em um vídeo no Instagram, a atriz destacou a praticidade do tratamento, mencionando que “não precisa fazer muitas sessões, isso que é legal”, após ser informada pela médica sobre a capacidade da tecnologia em atenuar diversas alterações ligadas ao envelhecimento.

O procedimento exemplificado pela atriz insere-se no contexto da Ginecologia Regenerativa, uma vertente da medicina que abrange técnicas voltadas tanto para a saúde quanto para o bem-estar íntimo feminino. Nos últimos anos, essa área incorporou tecnologias avançadas como laser, radiofrequência, ultrassom e aplicações injetáveis em consultórios. O objetivo é tratar eficazmente queixas relacionadas à lubrificação deficiente, flacidez dos tecidos, desconfortos funcionais e outras transformações que acompanham as diferentes fases da vida reprodutiva. Conforme explica a ginecologista Patricia Magier, “Esse é um braço da Ginecologia. A ideia é melhorar a função e a estética íntima feminina. Para isso, podemos usar tecnologias, aplicação de ácido hialurônico, e uso de hormônios locais ou cremes para lubrificação”.

É fundamental ressaltar, antes de discutir os tratamentos, que não existe um padrão estético universalmente ideal para a região íntima. As características anatômicas são intrinsecamente variáveis entre as mulheres, e nem toda alteração requer intervenção. O ginecologista Igor Padovesi, especialista em cirurgias íntimas femininas, esclarece: “Com relação à estética, é importante destacar que não existe um padrão normal estético para a região, já que sua anatomia varia muito entre as mulheres. É considerado anormal tudo o que causa constrangimento, desconforto, vergonha ou piora da autoestima”.

Entre os recursos tecnológicos mais empregados atualmente, destacam-se os equipamentos que visam estimular a produção de colágeno e aprimorar a qualidade da pele e da mucosa vaginal. Dependendo das necessidades específicas de cada paciente, os tratamentos podem incluir laser de CO₂, ultrassom microfocado ou radiofrequência. A Dra. Patricia Magier detalha: “Podemos usar um laser de CO2, um ultrassom microfocado ou uma radiofrequência. A tecnologia é escolhida de acordo com a queixa daquela paciente, mas sempre na tentativa de regenerar, de recuperar aquele tecido, melhorar a sensibilidade ao orgasmo e tratar toda a pele da região. Em pacientes com queixas de infecção de repetição, conseguimos atuar nesse tecido melhorando a imunidade local”.

Adicionalmente, os injetáveis também se tornaram parte integrante desse arsenal terapêutico. “Injetáveis como o bioestimulador de colágeno, que ajuda no tratamento da flacidez, quanto preenchedores de ácido hialurônico, para repor aquela gordura de grandes lábios, são usados para promover o embelezamento íntimo. Então, há ação na estética, na parte funcional, no tratamento de doenças, para melhorar a saúde íntima e devolver a autoestima para a mulher”, complementa a Dra. Magier.

Contudo, nem todas as demandas podem ser solucionadas por procedimentos realizados em consultório. Em certos cenários, a intervenção cirúrgica é indicada para corrigir alterações anatômicas que podem surgir após gestações ou com o avanço da idade. A perineoplastia, por exemplo, é uma das operações mais realizadas no país, direcionada a mulheres que relatam sensação de alargamento vaginal, particularmente após partos normais. “Essa é a cirurgia recomendada para ‘apertar’ o canal vaginal. Na maioria das vezes, é indicada para mulheres que tiveram partos vaginais e relatam que a vagina ficou mais afrouxada ou com menos sensibilidade depois do nascimento dos filhos”, explica Igor Padovesi. Ele adiciona que os impactos vão além da estética, afetando a vida sexual, autoestima e bem-estar emocional, e nesses casos, a perineoplastia pode ser uma ferramenta crucial de reabilitação.

Outra cirurgia frequentemente procurada é a ninfoplastia, focada na redução dos pequenos lábios quando o excesso de pele causa desconforto físico ou emocional. “O objetivo da ninfoplastia é remover o excesso de pele dos pequenos lábios, deixando-os para dentro dos grandes lábios. O procedimento pode ser realizado com laser e/ou com bisturi elétrico de alta frequência”, afirma o Dr. Padovesi. Ele salienta que, embora um procedimento relativamente simples, é capaz de aumentar significativamente a autoestima e o bem-estar físico, psicológico e sexual da mulher.

As inovações tecnológicas no campo da ginecologia regenerativa também incluem equipamentos projetados especificamente para a região íntima, como o ultrassom microfocado, que visa aprimorar a sustentação dos tecidos e tratar a frouxidão vaginal. A ginecologista Daniella Curi detalha que “Ele foi desenvolvido para o tratamento do canal vaginal e pode ser usado também para tratar gordura e flacidez”. A tecnologia atua tanto interna quanto externamente, estimulando o colágeno no canal vaginal e promovendo sua contração, o que contribui para a melhora da frouxidão e para a sustentação da uretra. Nos grandes lábios e monte pubiano, o ultrassom pode ser empregado para estimular colágeno ou reduzir tecido adiposo, conforme a necessidade de cada caso.

Além dos tratamentos direcionados aos tecidos, especialistas enfatizam a importância fundamental do fortalecimento da musculatura pélvica como parte integral dos cuidados femininos. Essa estrutura é crucial para a sustentação de órgãos internos e desempenha um papel vital na continência urinária e na função sexual. “Esse trabalho é fundamental, pois é o assoalho que ajuda a sustentar todas as estruturas da região. Muito importante, sempre que possível, associar os procedimentos do canal vaginal com a melhora da sustentação do assoalho pélvico. O campo eletromagnético faz um estímulo destes músculos, os deixando mais fortalecidos”, comenta a Dra. Daniella Curi.

Apesar de todos os avanços tecnológicos, os profissionais da saúde alertam que muitas das alterações observadas nessa fase da vida estão intrinsecamente ligadas às oscilações hormonais. Assim, a avaliação ginecológica permanece essencial para determinar a estratégia terapêutica mais apropriada para cada mulher. Dr. Igor Padovesi conclui: “Como muitos dos sintomas têm causas hormonais, tratá-los sem a terapia de reposição hormonal pode ser como enxugar gelo. Nessa terapia, são usados normalmente estrogênios, em diversas vias de aplicação […]. Toda essa terapia visa manter os níveis de hormônios femininos em valores próximos aos encontrados durante a vida reprodutiva da mulher. São tratamentos bastante seguros, desde que monitorados por um médico regularmente”.

Fonte: *Google Trends*

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