Lula: Relação Brasil-Colômbia ‘Transcede Ideologias’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parabenizou nesta quinta-feira (25) os colombianos pela eleição de Abelardo de la Espriella à Presidência. O pleito, realizado no último domingo (21), marcou a entrada do país vizinho na onda de ultradireita, sucedendo seu primeiro governo de esquerda e reconfigurando o tabuleiro político sul-americano.

Em uma nota publicada em suas redes sociais, Lula enfatizou que a relação entre o Brasil e a Colômbia ‘transcende ideologias’, classificando-a como fundamental para o enfrentamento de desafios comuns a ambos os países. Entre as questões citadas, o presidente destacou a preservação da Amazônia e o combate ao crime organizado. ‘Parabenizo o povo colombiano pelo processo democrático e soberano, expresso por sua vontade nas urnas, da escolha de seu novo presidente Abelardo de la Espriella nas eleições do último domingo’, declarou Lula. ‘Que sigamos trabalhando juntos em benefício dos nossos povos’, completou, reforçando a expectativa de cooperação.

A manifestação de Lula ocorreu um dia após o reconhecimento da vitória de Espriella pelo candidato derrotado Iván Cepeda, que era apoiado pelo presidente Gustavo Petro. A votação, caracterizada por sua apertada margem e comparecimento recorde, alinha a Colômbia à tendência ultradireitista já observada em nações como El Salvador, Argentina, Equador e Chile. Nos dias que se seguiram ao pleito, o país vivenciou protestos de apoiadores de Cepeda, muitos dos quais levantaram denúncias de supostas fraudes no escrutínio, embora organizações independentes tenham descartado essa possibilidade.

A vitória de Espriella tem sido interpretada como um fator que acentua o isolamento regional de Lula, conforme noticiado pela Folha. No atual panorama, apenas Uruguai, sob o governo de Yamandú Orsi desde 2025, e Venezuela, apesar de sua força limitada em fóruns internacionais e da tutela dos Estados Unidos após o ataque para depor Nicolás Maduro, mantêm alinhamento político relevante com o petista.

Abelardo de la Espriella, um advogado de 47 anos que construiu sua imagem pública em torno de seu sucesso financeiro, assume um cargo público pela primeira vez. Durante sua campanha, ele adotou uma retórica agressiva, apelidando a classe política tradicional de ‘os de sempre’ e posicionando-se como representante ‘dos que nunca’. Espriella também utilizou a camisa da seleção como símbolo de seu discurso nacionalista e prometeu uma linha-dura na segurança pública, tema que ganhou proeminência dez anos após os acordos de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas). Em comícios, por trás de um vidro blindado, o então presidenciável chegou a rotular seus adversários de criminosos e narcoterroristas, referindo-se a Cepeda como o ‘candidato das Farc’, apesar de o senador nunca ter participado da luta armada.

A eleição colombiana foi celebrada na Casa Branca, sob a administração de Donald Trump, que reorientou a política externa americana para enxergar a América Latina como sua principal zona de influência. Após a confirmação da vitória, Espriella afirmou ter conversado com o presidente americano, que, segundo ele, ‘manifestou seu apoio e seu reconhecimento à nossa vitória’. No Brasil, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais adversários de Lula e aliado de Trump, também comemorou o resultado no domingo, declarando que ‘as agendas de direita continuam triunfando em toda a América’.

A Colômbia, com cerca de 53 milhões de habitantes, é o segundo país mais populoso da América do Sul, atrás apenas do Brasil. Em 2024, registrou um PIB (Produto Interno Bruto) de quase US$ 419 bilhões, evidenciando sua relevância econômica e demográfica na região.

Fonte: *Google Trends*

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