A trajetória de Thiago Seyboth Wild no tênis profissional é marcada por altos e baixos intensos, desde o estrelato juvenil até os desafios mais profundos da vida pessoal e profissional. Em 2018, Wild conquistou o US Open juvenil e, em 2020, tornou-se o brasileiro mais jovem a vencer um torneio ATP, em Santiago. Naquela época, aos 19 anos, o paranaense era a grande esperança do tênis masculino nacional, com todos os holofotes voltados para seu potencial.
Contudo, a ascensão de Wild foi abruptamente interrompida. A pandemia de COVID-19 paralisou o circuito, freando seu ímpeto. Simultaneamente, sua vida pessoal foi abalada pelo fim de um relacionamento, que veio à tona com sérias acusações de sua ex-namorada, a biomédica Thayane Lima. Ela alegou ter vivido um relacionamento abusivo, acusando o tenista de injúria e violência doméstica, e divulgou prints de mensagens privadas. Um desses prints, cuja autenticidade é contestada por Wild, supostamente o ligava a discussões sobre relações de sua família com o nazismo, expondo sua família de forma inédita e gerando grande repercussão.
Em meio a esse turbilhão, o próprio Thiago Wild reconhece ter se perdido. “Eu acabei me deslumbrando”, admitiu em uma entrevista recente. “Perdi o foco, perdi vontade, almejava menos.” Os resultados em quadra foram um reflexo direto dessa fase: de estar próximo do top 100 antes da pandemia, Wild despencou para a 417ª posição no ranking mundial em março de 2023. Ele expressa a dificuldade de um jovem de 20-21 anos lidar com tamanha pressão e exposição, especialmente quando, segundo ele, poucos se interessaram em entender seu lado dos acontecimentos, levando-o a se fechar.
Apesar das adversidades, Wild iniciou uma impressionante arrancada em 2023. Derrubou Daniil Medvedev, então número 2 do mundo, na primeira rodada de Roland Garros e continuou a subir no ranking, alcançando a 58ª posição em 2024. No caminho de sua redenção em quadra, ele conquistou vitórias importantes sobre nomes como Taylor Fritz (#13), Lorenzo Musetti (#29) e Karen Khachanov (#15), demonstrando uma notável capacidade de superação e resiliência.
Apesar do sucesso em 2023, o ano de 2025 apresentou novos desafios físicos. No final de 2024, Wild passou por quatro cirurgias – três hérnias inguinais e uma no ombro esquerdo – o que comprometeu severamente sua preparação para a nova temporada. Posteriormente, enfrentou uma distensão no psoas e uma nova lesão no ombro esquerdo após um tropeço em quadra. Essas interrupções o impediram de engatar uma sequência de torneios, dificultando a recuperação do ritmo de jogo e o deixando abaixo de seu melhor desempenho no início do ano.
Atualmente, Thiago Wild afirma estar saudável e focado em seu retorno. Com o apoio de sua equipe e patrocínios (EQI, Wilson, MGT e Vuori), ele se sente tranquilo, feliz e com sua vida pessoal e profissional em ordem. Essa maturidade, segundo ele, permite-lhe lidar com os desafios de forma mais serena do que no passado, buscando consistentemente melhorias, como exemplificam grandes nomes do tênis.
Suas aspirações incluem o retorno ao top 100 como meta imediata, para depois estabelecer objetivos ainda mais ambiciosos. Wild confia em seu talento e na importância de uma sequência de jogos saudáveis para que os resultados voltem a aparecer. Ele também compartilha sua visão sobre o “Efeito Fonseca” no tênis brasileiro, elogiando João Fonseca e defendendo que o esporte no Brasil deve ser valorizado acima de nomes individuais, trabalhando uma cultura de tênis que combata o imediatismo e valorize cada trajetória, assim como a de grandes figuras como Neymar no futebol.
Sobre as disputas na Justiça, o caso de injúria e violência doméstica contra Wild foi arquivado em abril de 2022; o processo em que Thayane Lima pedia indenização de R$ 1 milhão por danos morais foi arquivado em dezembro de 2022; e o pedido de pensão alimentícia foi acatado, com Wild tendo de pagar um valor mensal durante um ano.
Fonte: *Google Trends*