Uma operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Polícia Federal (PF) resultou na interceptação de quatro turistas de nacionalidade tcheca no Aeroporto Internacional de Guarulhos, nesta quarta-feira (26). A ação frustrou uma tentativa de envio clandestino de mais de uma centena de cactos e cerca de duas mil sementes, todos originários do Rio Grande do Sul, para o exterior.
O material, de alto valor biológico e risco ambiental, estava ocultado de forma engenhosa na bagagem dos viajantes. As espécies foram encontradas escondidas dentro de latas de bebidas e até nos sapatos de um dos turistas, além de diversos sacos de papel contendo sementes distribuídos entre as malas.
A operação contou ainda com a colaboração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e de órgãos internacionais, como o Grupo de Resposta e Inteligência Aduaneira do Uruguai (Gria) e a Unidade de Vigilância de Portos e Aeroportos da Polícia Nacional do Uruguai, ressaltando a dimensão transnacional do combate a crimes ambientais.
O transporte irregular de espécies da flora nativa brasileira, especialmente aquelas com relevância para a conservação, configura infração ambiental grave e pode caracterizar crime contra o patrimônio natural. A maioria das espécies da família Cactaceae está listada no Anexo II da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES), com algumas incluídas no Anexo I, que reúne espécies sob maior risco de extinção.
Para as espécies do Anexo II, embora não necessariamente ameaçadas no momento, o comércio descontrolado pode levá-las a essa condição. Por isso, o comércio internacional dessas espécies somente é permitido mediante licença de exportação ou certificado de reexportação, emitidos após a autoridade ambiental nacional assegurar que a atividade não prejudicará a conservação da espécie.
O Brasil é reconhecido como um dos maiores centros de biodiversidade de cactáceas do mundo, perdendo apenas para o México, o sul dos Estados Unidos e a região andina. Das 227 espécies registradas no país, cerca de 30% ocorrem no Rio Grande do Sul. O bioma Pampa, em particular, concentra espécies endêmicas e ameaçadas de extinção.
Com aproximadamente 70 espécies, o estado gaúcho é considerado um importante centro de endemismo. Atualmente, 52 espécies que ocorrem no Rio Grande do Sul são classificadas como ameaçadas de extinção, sendo 12 exclusivas do Pampa gaúcho e outras 14 endêmicas da região que abrange áreas do Brasil e do Uruguai, o que eleva a gravidade da tentativa de exportação ilegal e a importância da fiscalização para a proteção desse valioso patrimônio natural.
Fonte: [NOTICIAS] CANAL RURAL