{"id":1972,"date":"2026-03-12T09:02:59","date_gmt":"2026-03-12T12:02:59","guid":{"rendered":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/alagoas-fossil-de-peixe-de-125-milhoes-de-anos-redefine-evolucao\/"},"modified":"2026-03-12T09:02:59","modified_gmt":"2026-03-12T12:02:59","slug":"alagoas-fossil-de-peixe-de-125-milhoes-de-anos-redefine-evolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/alagoas-fossil-de-peixe-de-125-milhoes-de-anos-redefine-evolucao\/","title":{"rendered":"Alagoas: F\u00f3ssil de Peixe de 125 Milh\u00f5es de Anos Redefine Evolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Uma descoberta paleontol\u00f3gica de relev\u00e2ncia global foi anunciada por pesquisadores brasileiros: a identifica\u00e7\u00e3o de um novo g\u00eanero e esp\u00e9cie de peixe f\u00f3ssil, denominado <i>Gondwanacanthus decollatus<\/i>, com uma idade estimada em 125 milh\u00f5es de anos. O esp\u00e9cime, encontrado na regi\u00e3o do atual estado de Alagoas, no Nordeste do Brasil, representa o registro mais antigo conhecido de um peixe pertencente ao grupo Acanthomorpha, caracterizado pela presen\u00e7a de espinhos nas nadadeiras, e lan\u00e7a nova luz sobre a hist\u00f3ria evolutiva dos vertebrados.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto da an\u00e1lise de materiais depositados na Cole\u00e7\u00e3o de F\u00f3sseis da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Alegre. O estudo detalhado sobre a nova esp\u00e9cie foi publicado na prestigiada revista <i>Papers in Palaeontology<\/i>. Os cientistas Alexandre Cunha Ribeiro, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e primeiro autor, e Fl\u00e1vio Bockmann, da Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras de Ribeir\u00e3o Preto (FFCLRP) da USP, foram os respons\u00e1veis por esta importante identifica\u00e7\u00e3o, conforme relataram ao Jornal da USP.<\/p>\n<p>O <i>Gondwanacanthus decollatus<\/i> \u00e9 classificado no grupo Acanthomorpha, que compreende atualmente mais de 18 mil esp\u00e9cies e constitui aproximadamente um ter\u00e7o de todos os vertebrados modernos. A import\u00e2ncia primordial desta descoberta reside no fato de que o f\u00f3ssil \u00e9 o primeiro registro desse grupo no Cret\u00e1ceo Inferior do supercontinente Gondwana. &#8220;Isto demonstra que esses peixes j\u00e1 estavam presentes no hemisf\u00e9rio sul muito antes do que a ci\u00eancia acreditava, preenchendo uma lacuna enorme na hist\u00f3ria evolutiva desse grupo&#8221;, destacaram os pesquisadores, referindo-se ao per\u00edodo Cret\u00e1ceo, que se estendeu de 145 a 66 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Apesar de extinta, a esp\u00e9cie exibe caracter\u00edsticas anat\u00f4micas que remetem a peixes modernos com espinhos nas nadadeiras, como bacalhau, corvina e robalo. Contudo, os cientistas enfatizam que o <i>Gondwanacanthus decollatus<\/i> n\u00e3o pode ser diretamente associado a nenhuma fam\u00edlia moderna ou f\u00f3ssil de Acanthomorpha. O nome cient\u00edfico do peixe reflete sua origem e as peculiaridades do f\u00f3ssil principal: &#8216;Gondwana&#8217; alude ao antigo supercontinente; &#8216;acanthus&#8217; (espinho) refere-se \u00e0 caracter\u00edstica distintiva do grupo; e &#8216;decollatus&#8217; (decapitado) faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia da cabe\u00e7a no hol\u00f3tipo, devido a um corte durante a coleta original da rocha, h\u00e1 cerca de duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>As caracter\u00edsticas f\u00edsicas preservadas indicam que o <i>Gondwanacanthus decollatus<\/i> possu\u00eda um corpo alto e arredondado, atingindo cerca de 24 cent\u00edmetros na por\u00e7\u00e3o preservada. Era dotado de grandes escamas do tipo &#8216;espinoide&#8217;, com dent\u00edculos em suas margens. A principal evid\u00eancia para sua classifica\u00e7\u00e3o foi a presen\u00e7a de espinhos verdadeiros e n\u00e3o segmentados nas nadadeiras dorsal e p\u00e9lvica, al\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o tor\u00e1cica das nadadeiras p\u00e9lvicas, uma caracter\u00edstica anat\u00f4mica fundamental para o grupo. A idade do material foi estimada entre o final do Barremiano e o in\u00edcio do Aptiano, est\u00e1gios do Cret\u00e1ceo Inferior, situando-o entre 120 e 125 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>No per\u00edodo em que este peixe habitava os oceanos, a configura\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica da Terra era drasticamente diferente da atual. O supercontinente Gondwana estava em processo de separa\u00e7\u00e3o, dando origem ao Oceano Atl\u00e2ntico Sul. O ambiente em que o <i>Gondwanacanthus<\/i> viveu era, segundo estudos geol\u00f3gicos, provavelmente de deposi\u00e7\u00e3o continental com forte influ\u00eancia marinha, caracterizando-se como um ambiente de sedimenta\u00e7\u00e3o aluvial-deltaica. Esta descoberta \u00e9 crucial para preencher a chamada &#8220;lacuna de Patterson&#8221;, uma hip\u00f3tese que sugeria um surgimento ou diversifica\u00e7\u00e3o tardia dos peixes espinhosos, principalmente no hemisf\u00e9rio norte. O f\u00f3ssil alagoano refuta essa narrativa, demonstrando a presen\u00e7a desses peixes no Cret\u00e1ceo Inferior e no hemisf\u00e9rio sul muito antes do que se imaginava, alinhando a paleontologia com evid\u00eancias gen\u00e9ticas que j\u00e1 apontavam para uma origem mais antiga do grupo. O achado refor\u00e7a a import\u00e2ncia das bacias sedimentares brasileiras, como a de Sergipe-Alagoas, para a compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o da biodiversidade global durante a fragmenta\u00e7\u00e3o continental.<\/p>\n<p><small>Fonte: CURIOSIDADES &#8211; Aventuras da Hist\u00f3ria<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Descoberto em Alagoas, um peixe f\u00f3ssil de 125 milh\u00f5es de anos, o Gondwanacanthus decollatus, reescreve a hist\u00f3ria evolutiva dos peixes com espinhos e sua dispers\u00e3o no antigo supercontinente Gondwana.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1971,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[729,629,1335,628],"class_list":["post-1972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-curiosidades","tag-alagoas","tag-fossil","tag-gondwanacanthus","tag-paleontologia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976.jpg","uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976.jpg",1280,720,false],"thumbnail":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976-300x169.jpg",300,169,true],"medium_large":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976-768x432.jpg",768,432,true],"large":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976-1024x576.jpg",1024,576,true],"1536x1536":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976.jpg",1280,720,false],"2048x2048":["https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/news-1773316976.jpg",1280,720,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"admin","author_link":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/author\/admin\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Descoberto em Alagoas, um peixe f\u00f3ssil de 125 milh\u00f5es de anos, o Gondwanacanthus decollatus, reescreve a hist\u00f3ria evolutiva dos peixes com espinhos e sua dispers\u00e3o no antigo supercontinente Gondwana.","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1971"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}