{"id":3364,"date":"2026-05-22T12:00:08","date_gmt":"2026-05-22T15:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/a-surpreendente-conexao-de-erasmo-carlos-com-o-rap\/"},"modified":"2026-05-22T12:00:08","modified_gmt":"2026-05-22T15:00:08","slug":"a-surpreendente-conexao-de-erasmo-carlos-com-o-rap","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/a-surpreendente-conexao-de-erasmo-carlos-com-o-rap\/","title":{"rendered":"A Surpreendente Conex\u00e3o de Erasmo Carlos com o Rap!"},"content":{"rendered":"<p>A primeira impress\u00e3o de \u201cMano\u201d, \u00e1lbum que prop\u00f5e uma audaciosa conex\u00e3o entre o ic\u00f4nico Erasmo Carlos (1941 \u2013 2022) e a nova gera\u00e7\u00e3o de rappers brasileiros, pode ser inicialmente desafiadora. Lan\u00e7ado com oito faixas, o projeto revisita e recria m\u00fasicas do cantor e compositor carioca, lan\u00e7adas entre 1971 e 1973, um per\u00edodo crucial de expans\u00e3o em seu repert\u00f3rio, que o distanciou do rock hedonista da Jovem Guarda para abra\u00e7ar outras sonoridades.<\/p>\n<p>Na faixa de abertura, \u201c\u00c9 preciso dar um jeito, meu amigo \/ A vida irrita a arte\u201d, a can\u00e7\u00e3o original de Erasmo, presente no \u00e1lbum \u201cCarlos, Erasmo\u201d (1971) e recentemente amplificada na trilha sonora do filme \u201cAinda estou aqui\u201d (2024), quase se dissolve. Ao longo de tr\u00eas minutos, fragmentos da grava\u00e7\u00e3o de 1971, como o riff de guitarra da introdu\u00e7\u00e3o, s\u00e3o ofuscados por um discurso potente de Emicida, sobre uma base elaborada pelo duo Tropkillaz. Nesta faixa inicial, a ambi\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio L\u00e9o Esteves \u2013 filho de Erasmo e idealizador do projeto \u2013 de fazer a obra do pai circular por novas gal\u00e1xias do universo pop, atrav\u00e9s do hip hop, parece n\u00e3o se concretizar plenamente.<\/p>\n<p>O di\u00e1logo entre o cancioneiro de Erasmo e o rap foi uma proposta de Marcus Preto, figura central na organiza\u00e7\u00e3o do projeto. Convocado por sua experi\u00eancia como diretor art\u00edstico dos \u00faltimos \u00e1lbuns de Erasmo, incluindo o aclamado \u201c&#8230; Amor \u00e9 isso\u201d (2018), Preto buscou estabelecer pontes genu\u00ednas entre os universos musicais.<\/p>\n<p>Felizmente, a impress\u00e3o inicial mitigada pela faixa com Emicida se dissipa progressivamente. \u201cMano\u201d ganha for\u00e7a e brilho \u00e0 medida que a intera\u00e7\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es e g\u00eaneros se efetiva. Nesse contexto, a interven\u00e7\u00e3o de Budah em \u201cCacha\u00e7a mec\u00e2nica\u201d (1973) \u00e9 louv\u00e1vel. Esta faixa, um samba-rock no qual Erasmo incorporou influ\u00eancias de Chico Buarque em um single daquele ano, \u00e9 o primeiro ponto de virada do \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Em \u201cCacha\u00e7a mec\u00e2nica \/ Queimando tudo\u201d, formatada por Tibery com uma produ\u00e7\u00e3o que oscila entre o soul e o rap, a grava\u00e7\u00e3o de Erasmo \u00e9 ouvida, mas a rapper capixaba Budah n\u00e3o apenas canta trechos da letra original do samba-rock, como tamb\u00e9m amplifica a narrativa da ang\u00fastia crescente de Jo\u00e3o, o protagonista da letra, por meio do rap. A simbiose alcan\u00e7a a perfei\u00e7\u00e3o, tornando a faixa o \u00e1pice de \u201cMano\u201d, pois Budah consegue expor com maestria todo o peso psicol\u00f3gico de Jo\u00e3o em seu discurso.<\/p>\n<p>Com sagacidade, o rapper Dexter, em \u201cQuem \u00e9 her\u00f3i ou vil\u00e3o?\u201d, alude ao refr\u00e3o-t\u00edtulo de \u201cT\u00e1 todo mundo louco\u201d, um dos maiores sucessos de Silvio Brito em 1974, ao comentar o discurso de \u201cMundo c\u00e3o\u201d (1972) \u2013 m\u00fasica de Erasmo presente no \u00e1lbum \u201cSonhos e mem\u00f3rias \u2013 1941 \/ 1972\u201d. Em um rap constru\u00eddo sobre a base de Coyote Beatz, o di\u00e1logo se estabelece sem anular a presen\u00e7a marcante de Erasmo, diferentemente da experi\u00eancia inicial com Emicida.<\/p>\n<p>Do mesmo \u00e1lbum de 1972, \u201cMano\u201d reativa a balada rom\u00e2ntica \u201cS\u00e1bado morto\u201d e a can\u00e7\u00e3o \u201cSorriso dela\u201d, ambas reprocessadas com a produ\u00e7\u00e3o musical de Pupillo. Em \u201cS\u00e1bado morto\u201d, a voz original de Erasmo \u00e9 ouvida nos dois minutos iniciais sobre a base de Pupillo, at\u00e9 a entrada do rap de Xam\u00e3 (\u201cEu enquanto p\u00e1ssaro\u201d), cujos versos inteligentemente citam a fama de mau do Tremend\u00e3o. A voz de Erasmo retorna, agora sobre um riff de guitarra, em uma ambi\u00eancia mais rocker, demonstrando uma coes\u00e3o superior \u00e0 interven\u00e7\u00e3o de Rael em \u201cSorriso dela\u201d com o rap \u201cN\u00e3o tem pra ningu\u00e9m\u201d, que evoca a m\u00fasica negra norte-americana da d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>Ao longo de \u201cMano\u201d, a contribui\u00e7\u00e3o feminina no rap se destaca significativamente. A dupla Tasha &#038; Tracie rima sobre batidas suaves do produtor Pizol no rap \u201cO tempo \u00e9 amigo e inimigo\u201d, dialogando de forma inteligente com a faixa \u201cGrilos\u201d (1972). Mais \u00f3bvias em sua efic\u00e1cia s\u00e3o a presen\u00e7a de Marcelo D2 e a cad\u00eancia do reggae na atualiza\u00e7\u00e3o do samba-rock \u201cMaria Joana\u201d (1971), cuja letra original aludia ao consumo de maconha pelo artista na \u00e9poca. Com produ\u00e7\u00e3o de Nave, D2 entrega um discurso libertador nos versos de \u201cPra que as trevas destravem\u201d.<\/p>\n<p>O \u00e1lbum \u201cMano\u201d culmina em um ponto alto com a reuni\u00e3o de Erasmo, Criolo e T\u00e1ssia Reis em \u201cGente aberta \/ Imensamente visceral\u201d. Criolo empresta sua voz aos versos de \u201cGente aberta\u201d (1971) em um dueto convencional com Erasmo, at\u00e9 a entrada poderosa do rap de T\u00e1ssia Reis. A pulsa\u00e7\u00e3o do toque de Edy Trombone amplifica a atmosfera de sedu\u00e7\u00e3o dessa faixa, que encerra \u201cMano\u201d de forma robusta e positiva. O \u00e1lbum \u00e9 um testemunho de que, de fato, a primeira impress\u00e3o nem sempre \u00e9 a que fica, revelando um saldo art\u00edstico que surpreende e cativa.<\/p>\n<p><small>Fonte: Cultura e Arte &#8211; G1<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desvende o \u00e1lbum &#8216;Mano&#8217;, que une o legado de Erasmo Carlos a rappers como Criolo, Emicida e Budah. Uma cr\u00edtica aprofundada revela como essa fus\u00e3o musical transcende expectativas, transformando uma primeira impress\u00e3o desafiadora em um di\u00e1logo art\u00edstico potente e inovador.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3363,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[35],"tags":[2395,2704,2705,2706],"class_list":["post-3364","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica","tag-critica-musical","tag-erasmo-carlos","tag-mano-album","tag-rap-brasileiro"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/news-1779462005.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3364","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3364"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3364\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3364"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3364"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/audiview.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3364"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}