Em um movimento que surpreendeu o setor de agronegócios brasileiro, a China anunciou a suspensão da importação de carne bovina de três frigoríficos do Brasil nesta quarta-feira, 20 de maio. A decisão veio apenas um dia após Pequim ter reabilitado outras três plantas para exportação, criando um cenário de instabilidade e preocupação para os exportadores nacionais. A Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) justificou o veto pela detecção de resíduos de uma substância hormonal sintética proibida em cargas de carne, levantando questões sobre os controles de qualidade e a vigilância sanitária.
Os frigoríficos diretamente impactados por este novo bloqueio são a unidade da JBS S/A em Pontes e Lacerda (MT), a PrimaFoods de Araguari (MG) e a Frialto, localizada em Matupá (PA). A substância identificada nas cargas, o acetato de medroxiprogesterona, é um hormônio sintético comumente empregado na medicina veterinária para o controle do ciclo reprodutivo de animais. A presença deste composto, não permitido pela legislação chinesa, acionou os protocolos de segurança alimentar do país asiático, resultando na imediata desabilitação das unidades. Estas suspensões já estão devidamente registradas no sistema Ciferquery SingleWindow, a plataforma de registro de empresas importadoras de alimentos da China.
A comunicação oficial do bloqueio foi prontamente transmitida ao governo brasileiro através da adidância agrícola sediada em Pequim, com um ofício encaminhado diretamente ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura. Este episódio marca um revés significativo para o Brasil, elevando para quatro o número total de frigoríficos exportadores de carne bovina atualmente suspensos pela China. A oscilação nas decisões chinesas em um período tão curto de tempo reforça a volatilidade do mercado e a complexidade das relações comerciais internacionais no setor de commodities.
Diante do impacto potencial no fluxo de exportações e nas finanças das empresas envolvidas, as companhias citadas — JBS, PrimaFoods e Frialto — bem como o Ministério da Agricultura, foram procuradas pela imprensa para se manifestarem sobre o embargo. Contudo, até a finalização desta reportagem, nenhuma das partes havia emitido um posicionamento oficial, deixando em aberto as estratégias de mitigação e os desdobramentos futuros. O espaço permanece aberto para que as entidades envolvidas apresentem suas perspectivas sobre esta importante questão que afeta diretamente um dos pilares da economia brasileira.
Fonte: BAND JORNALISMO