O cenário político-judicial brasileiro ganhou novos contornos com a recente determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o governo brasileiro inicie os trâmites de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). A decisão, contudo, foi recebida com forte oposição pelo advogado da ex-parlamentar, Fábio Pagnozzi, que a classificou como “totalmente sem cabimento” e um “atentado” à soberania jurídica italiana.
Em entrevista concedida à BandNews TV nesta quarta-feira (20), Pagnozzi expressou veementemente sua crítica à postura do ministro. Segundo o advogado, Moraes não possui autoridade sobre o território italiano e, portanto, não poderia forçar a Justiça do país europeu a acelerar seus procedimentos. Ele sugere que a determinação reflete uma intenção de usar Zambelli como um símbolo. “Carla Zambelli virou, obviamente, o último troféu para que eles coloquem na cadeia”, declarou Pagnozzi, sublinhando a percepção de uma perseguição política por trás da medida.
Apesar da determinação de Moraes, o processo de extradição na Itália ainda enfrenta etapas cruciais. Fábio Pagnozzi salientou que, embora o pedido de extradição tenha sido aceito pela primeira instância da Justiça italiana, o caso aguarda análise da Corte de Cassação, que deve pautar a questão a partir de 22 de maio. Além disso, a palavra final sobre a extradição dependerá da aprovação do Executivo italiano, seja da primeira-ministra Giorgia Meloni ou do ministro da Justiça Carlo Nordio, destacando que a decisão não cabe exclusivamente ao Judiciário.
A ordem de Alexandre de Moraes reforça a pressão sobre os ministérios da Justiça e Relações Exteriores para que adotem as providências necessárias. Zambelli, que possui passaporte italiano, encontra-se detida na Itália desde julho de 2025, após ter fugido do Brasil depois de ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal.
A mais recente movimentação do ministro do STF ocorreu após a Coordenação-Geral de Extradição, ligada ao Ministério da Justiça, solicitar ao Supremo o envio de garantias exigidas pelas autoridades italianas, devidamente traduzidas. Moraes, ao analisar o pleito, afirmou que tais garantias já haviam sido formalizadas e encaminhadas aos órgãos competentes para transmissão à Itália em 11 de dezembro de 2025, reiterando a necessidade de prosseguir com a extradição.
Fonte: BAND JORNALISMO