A morte trágica de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas em um salto de rope jump em Limeira (SP) ganhou novos contornos com o depoimento de um amigo que a acompanhava. Segundo o relato, a preparação da jovem para o salto foi “extremamente rápida” e significativamente diferente dos procedimentos de segurança que ele próprio havia seguido momentos antes, levantando sérias questões sobre a negligência que culminou na fatalidade.
O homem, que preferiu não ter seu nome divulgado, afirmou que saltou antes de Maria Eduarda, uma profissional de Educação Física, após passar por um procedimento regular e detalhado de segurança. No entanto, no caso de Duda, a fixação das cordas de segurança foi omitida, resultando em seu lançamento da Ponte do Esqueleto sem qualquer proteção e, consequentemente, em sua morte por conta dos ferimentos.
Em depoimento obtido pelo Metrópoles, o amigo detalhou que o protocolo de segurança envolvia a colocação de equipamentos como colete e proteções em uma área anexa, com a corda sendo fixada na plataforma momentos antes do salto. Ele observou que seu procedimento foi supervisionado por uma única pessoa, enquanto Maria Eduarda foi assistida por três indivíduos para a modalidade “aviãozinho”, na qual os instrutores elevam o saltador e o lançam. O amigo não viu o equipamento de segurança ser fixado em Duda, ouvindo apenas gritos de alerta sobre a ausência da corda instantes após o lançamento, o que o levou a um mal-estar e posterior hospitalização.
A Polícia Civil, em resposta à gravidade do ocorrido, indiciou três instrutores – Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 – por homicídio com dolo eventual. Os investigadores argumentam que os envolvidos assumiram o risco da morte da jovem ao negligenciarem os procedimentos de segurança essenciais.
Adicionalmente, as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público (MP) apontam para a detenção de outros três suspeitos. João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, foi identificado como o responsável por remover uma câmera presa a Maria Eduarda logo após o acidente. Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43, é apontada como a líder do grupo que organizava os saltos, e Gabriel Barros Martins, de 30, também foi preso temporariamente. Estes novos detidos são do Rio de Janeiro e se juntam aos três instrutores que já estavam presos preventivamente.
A defesa de Luis Felipe e Maicon contesta o enquadramento por homicídio com dolo eventual, argumentando que seus clientes não tiveram a intenção de matar, e que a acusação deveria ser de homicídio culposo. A defesa de Vitor, por sua vez, mencionou “divergências técnicas” na capitulação, afirmando ainda não ter acesso à íntegra do inquérito.
O grupo que promovia os saltos de 40 metros de altura, cobrando até R$ 180 por salto, operava de forma informal, sem uma empresa formalmente constituída, conforme revelado pela polícia. Após a repercussão do caso, os perfis vinculados aos organizadores foram rapidamente removidos das redes sociais, dificultando a rastreabilidade.
Segundo a delegada responsável pelo caso, os investigados afirmaram não se recordar de quem era a responsabilidade de conectar a corda de segurança, nem por que a checagem final não foi realizada. A polícia reforça que a corda que deveria estar conectada ao equipamento de segurança da jovem permaneceu enrolada na estrutura de salto, e que os procedimentos de conferência dos equipamentos não foram realizados antes da queda fatal.
Fonte: *Google Trends*