Produtores rurais do estado de São Paulo têm encontrado um promissor segmento de mercado na criação de pombos-correio, uma atividade que, além de resgatar uma prática ancestral, oferece uma rentabilidade expressiva, com as aves sendo comercializadas por mais que o dobro dos custos de produção. Essa modalidade de avicultura se destaca não apenas pela viabilidade econômica, mas também pela beleza intrínseca das aves, fator que impulsiona uma demanda aquecida.
Historicamente reconhecidos por sua capacidade de transportar mensagens ao longo dos séculos, os pombos-correio modernos são procurados principalmente para a participação em eventos especiais e como atração em empreendimentos de turismo rural. A beleza e a elegância dessas aves as tornam elementos visuais valorizados em diversas celebrações e contextos temáticos, garantindo um fluxo constante de compradores.
Em Mirassol, no interior paulista, os irmãos Walter e Rosimar Schinelo exemplificam o sucesso dessa atividade. Herdeiros de uma tradição familiar iniciada por seus bisavós, imigrantes italianos, eles mantêm uma criação robusta e lucrativa. Cada pombo-correio é vendido por aproximadamente R$ 50, proporcionando um lucro estimado de R$ 30 por animal ao produtor. Tal margem de lucro sublinha o potencial financeiro dessa especialização no agronegócio.
Adicionalmente, a criação de pombos-correio é simplificada por aspectos regulatórios favoráveis. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classifica a espécie como doméstica, dispensando a necessidade de licenças específicas para sua criação, o que desburocratiza e incentiva o ingresso de novos produtores no setor.
A biologia e o comportamento dos pombos-correio também contribuem para a sustentabilidade da criação. Uma característica notável é a formação de casais monogâmicos, que permanecem unidos por toda a vida. Além disso, são pais extremamente dedicados e protetores, com os machos desempenhando um papel ativo na incubação dos ovos e na alimentação dos filhotes. O ciclo de desenvolvimento é relativamente rápido: cerca de 40 dias após o nascimento, os filhotes já estão aptos a voar e prontos para serem comercializados, otimizando o fluxo de produção e retorno financeiro.
Fonte: [NOTICIAS] GLOBO RURAL