A infraestrutura da Amazon Web Services (AWS) no Oriente Médio foi palco de uma significativa interrupção de serviços nesta segunda-feira (2). As instalações de computação em nuvem da gigante tecnológica enfrentaram severos problemas de energia e conectividade. A causa aponta para o impacto de “objetos” não identificados em uma central de dados da companhia localizada nos Emirados Árabes Unidos.
Esse incidente resultou em um incêndio no domingo (1), que forçou as autoridades locais a desativar o fornecimento de energia para dois conjuntos de data centers da Amazon nos Emirados. De acordo com o site de status da AWS, a restauração completa dos serviços é esperada para levar ainda “muitas horas”. A interrupção não se limitou ao território dos Emirados Árabes, afetando também os serviços da AWS no vizinho Barein, evidenciando a extensão regional do problema.
A gravidade da situação se estendeu a outros setores. O Banco Comercial de Abu Dhabi, por exemplo, informou que suas plataformas e seu aplicativo móvel estavam inoperantes devido a uma falha de TI que afetou toda a região. Embora o banco não tenha correlacionado diretamente sua indisponibilidade ao incidente específico da AWS, o timing e a abrangência sugerem uma conexão.
Embora a Amazon não tenha fornecido detalhes sobre a natureza dos “objetos” que atingiram suas instalações, o evento ocorreu coincidentemente no mesmo dia em que o Irã lançou uma série de drones e mísseis contra os Estados do Golfo. Esses ataques foram anunciados como retaliação a ações dos Estados Unidos e Israel que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo iraniano. Se confirmado como um ataque deliberado às instalações da AWS, este marcará um precedente alarmante: a primeira vez que uma central de dados de uma grande empresa de tecnologia dos EUA teria seus serviços interrompidos por uma ação militar direta.
Tal ocorrência pode ter profundas implicações e levantar questionamentos críticos sobre a estratégia de expansão das gigantes de tecnologia na região. Os Emirados Árabes Unidos têm sido posicionados como um hub estratégico para a computação de inteligência artificial por empresas norte-americanas, vital para o funcionamento de serviços de ponta como o ChatGPT. A Microsoft, por exemplo, anunciou em novembro planos de elevar seu investimento total nos Emirados para US$ 15 bilhões até o final de 2029, com foco na utilização de chips da Nvidia em seus data centers locais. Google e Oracle também mantêm operações no país.
A preocupação com a segurança de infraestruturas digitais em zonas de conflito não é nova. Na semana anterior ao incidente, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), um influente think tank de Washington, alertou para o risco crescente. “Em conflitos anteriores, adversários regionais como o Irã e seus aliados atacaram oleodutos, refinarias e campos de petróleo em países parceiros do Golfo. Na era da computação, esses atores também poderiam atacar data centers, infraestrutura de energia que suporta computação e pontos de estrangulamento de fibra óptica”, afirmou o CSIS, sublinhando a vulnerabilidade das infraestruturas de TI.
A AWS confirmou que a recuperação completa dos problemas levaria “muitas horas” tanto para os Emirados Árabes Unidos quanto para o Barein. A interrupção afetou aproximadamente uma dúzia de serviços essenciais em nuvem. A empresa aconselhou seus clientes a realizarem backups de dados importantes e a considerarem a transferência de suas operações para servidores em regiões da AWS não afetadas, como medida preventiva para mitigar futuras interrupções. Nem Microsoft, nem Google, nem Oracle responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters sobre o incidente.
Fonte: TECNOLOGIA – Money Times