O mistério em torno do encontro de Anderson Kauan, de 8 anos, em Bacabal, Maranhão, foi parcialmente desvendado nesta sexta-feira (6/3). Em uma entrevista ao Metrópoles, o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), Coronel Célio Roberto, revelou os pormenores que levaram o menino a ser encontrado sem suas vestimentas, a aproximadamente quatro quilômetros de sua comunidade de origem, exibindo visíveis sinais de fraqueza após dias desaparecido na densa vegetação local. A descoberta de Kauan, embora um alívio, intensificou a incessante busca por seus primos, Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, que permanecem desaparecidos desde o início de janeiro.
De acordo com o comandante Célio Roberto, a condição física debilitada de Anderson Kauan, que experimentou uma perda de peso de cerca de 8 quilos durante o período em que esteve perdido na mata, foi o fator determinante para ele ter sido encontrado despido. O próprio menino relatou que, após atravessar um charco, suas roupas ficaram molhadas e começaram a cair devido à sua acentuada perda de massa corporal. ‘Ele passa por esse charco, se molha, a roupa começa a cair, e ele tira o calção e a camisa e põe ali em um determinado local’, detalhou o chefe da corporação, esclarecendo uma das perguntas mais intrigantes desde que o jovem foi resgatado por um carroceiro na localidade de Santa Rosa dos Pretos, após três dias de intensa procura.
Anderson Kauan é primo de Ágatha Isabelly e Allan Michael, os quais desapareceram em 4 de janeiro, após os três partirem juntos com o intuito de apanhar maracujás em uma área de mata densa, situada no quilombo de São Sebastião dos Pretos. A união das crianças nessa jornada despretensiosa resultou em uma inesperada e perigosa provação. Ao ser finalmente encontrado, Kauan inicialmente relatou que seus primos estariam mais à frente, uma informação que mobilizou ainda mais as forças de segurança. Contudo, as buscas intensivas naquele perímetro inicial, baseado na indicação do menino, não resultaram na localização de Ágatha e Allan.
A narrativa detalhada de Kauan revelou-se crucial para o avanço das operações de busca. O comandante do CBMMA confirmou que, no mesmo dia do resgate do menino, as equipes de resgate localizaram suas roupas na mata, corroborando a versão apresentada por ele sobre o motivo de sua nudez. Posteriormente, a informação de que Anderson Kauan e seus primos haviam passado uma noite em uma ‘casa caída’, ou uma cabana abandonada na mata, foi considerada ‘preciosa’ pela corporação. Com o auxílio de cães militares farejadores, os rastros das crianças foram confirmados naquele perímetro específico, com o animal apontando a que seria a última pista concreta sobre o paradeiro de Ágatha e Allan, direcionando os esforços de busca para áreas mais específicas da vegetação.
A odisseia de Anderson Kauan na mata foi marcada por extremas adversidades. Conforme relatado pelo Coronel Célio Roberto, o menino enfrentou o frio implacável da floresta, a ausência de alimento e os perigos inerentes à convivência na natureza selvagem. Estima-se que, até ser encontrado, Kauan tenha percorrido uma distância aproximada de 20 quilômetros em meio à densa vegetação, um trajeto que desafiaria até mesmo indivíduos adultos e treinados. O comandante explicou a complexidade do terreno: ‘Para chegar até lá, leva um certo tempo, porque tem de desviar de obstáculos naturais, como áreas alagadiças, dois lagos também que compõem a mata. E isso aí, por homens treinados, se faz ali em torno de 5 horas.’ A constatação inicial de que Kauan fora encontrado a apenas 4 km de São Sebastião dos Pretos considerava exclusivamente o trajeto em linha reta, desconsiderando os inúmeros obstáculos naturais e o tempo exigido para superá-los, o que sublinha a resiliência extraordinária da criança diante de tamanha provação.
Apesar do resgate de Anderson Kauan e da elucidação de parte de seu sofrimento e da razão de sua condição, a prioridade das equipes de resgate do Corpo de Bombeiros e demais forças de segurança permanece sendo a localização de Ágatha Isabelly e Allan Michael. A cada nova pista e detalhe revelado, a esperança se renova, enquanto a comunidade de Bacabal e todo o estado do Maranhão seguem acompanhando com apreensão e solidariedade a incessante e meticulosa busca pelos dois irmãos ainda desaparecidos.
Fonte: Metropoles – Brasil