O ex-presidente Jair Bolsonaro formalizou um pedido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, para receber a visita de Darren Beattie, conselheiro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. A solicitação, que visa viabilizar um encontro em dias e horários extraordinários, decorre da agenda internacional do visitante em território brasileiro.
Darren Beattie, reconhecido como um ativista de ultradireita, foi designado pelo governo dos EUA para ocupar o cargo de Conselheiro Sênior de Política para o Brasil, uma posição inédita na estrutura diplomática americana. Sua proximidade com a família Bolsonaro é notória, especialmente com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, o que adiciona uma camada de complexidade e interesse político ao pedido de visita.
No passado, Beattie manifestou duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes em suas plataformas digitais, chegando a fazer menção à aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado, numa tentativa de pressionar pela libertação do ex-presidente brasileiro. Em uma de suas declarações, o conselheiro afirmou: “O ministro Moraes é o coração pulsante do complexo de perseguição e censura contra Jair Bolsonaro, o que, por sua vez, tem restringido a liberdade de expressão nos EUA. Graças à liderança do presidente Trump e do secretário [Marco] Rubio, estamos atentos e tomando as devidas providências”.
A agenda de Beattie no Brasil prevê visitas a São Paulo e Brasília na próxima semana, com compromissos que incluem uma reunião com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, além de outros encontros relacionados ao processo eleitoral brasileiro. A visita à custódia de Jair Bolsonaro insere-se neste contexto de articulações políticas e diplomáticas.
No requerimento endereçado a Moraes, assinado pelo advogado Paulo da Cunha Bueno, argumenta-se a necessidade de uma autorização excepcional para a visita. O documento destaca que “O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)”, ressaltando o caráter diplomático e a limitação de tempo do conselheiro no país.
O advogado solicitou que a visita possa ocorrer em 16 de março, no período da tarde, ou em 17 de março, pela manhã ou início da tarde, “observadas todas as demais regras de segurança e controle do estabelecimento custodiante”. Adicionalmente, foi requerida a permissão para que o visitante esteja acompanhado de um intérprete, justificando que o ex-presidente “não possui plena fluência na língua inglesa”, visando assegurar a comunicação efetiva durante o encontro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br