A diarista Paola Stefany Neto Cirino, já detida sob a forte suspeita de assassinar brutalmente um casal de idosos a facadas na capital mineira, Belo Horizonte, agora enfrenta uma nova e grave acusação. As autoridades a investigam por um suposto crime de dopagem e furto contra um primo das próprias vítimas, adicionando uma camada de complexidade e horror ao caso.
O primo em questão, cuja identidade não foi revelada, foi o elo que conectou Paola aos idosos, indicando-a para trabalhar na residência do casal. Em depoimento à polícia, o homem afirmou conhecer Paola há um tempo e, confiante em sua idoneidade, recomendou-a para os serviços de faxina. Contudo, essa confiança teria sido traiçoeira, conforme as novas informações divulgadas pelo delegado Gustavo Barletta.
A suspeita recai sobre Paola de ter dopado e furtado o homem dias antes da barbárie que culminou na morte do casal. Segundo o delegado, o primo relatou ter se sentido mal após assistir a um jogo da seleção brasileira, em um momento em que Paola estava em sua companhia. Ela teria sugerido que ele fosse dormir, e, ao acordar, o homem notou o desaparecimento de sua carteira. “Ele disse que jamais desconfiaria dela. Então, comprovando-se, nós indiciaremos ela por mais um crime”, afirmou o delegado Barletta à TV Globo, sublinhando o abalo e o sentimento de culpa do familiar por ter introduzido a diarista na vida de seus parentes.
Em resposta às acusações, a defesa de Paola, representada pelo advogado Bruno Correa, enviou nota ao UOL reafirmando sua confiança no Poder Judiciário. A defesa sustentou que apresentará seus argumentos no “momento processual oportuno”, com base nas provas do processo, e ressaltou que a responsabilidade da investigada deve ser definida apenas ao final da instrução processual, “e não por julgamentos antecipados ou pela repercussão do caso”.
O crime original, que chocou o bairro São Pedro, resultou na morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, atingido por 17 facadas, e de sua esposa, a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, com sete golpes. A perícia inicial não encontrou sinais de arrombamento no apartamento, mas identificou uma gaveta revirada onde eram guardadas semijoias e familiares relataram o desaparecimento de itens como celulares e uma bolsa de grife, apontando para a hipótese de latrocínio. A cena do crime foi descrita pela Polícia Civil como “grotesca”, com “muito sangue casa afora”, denotando “extrema barbárie e violência”.
O casal foi encontrado sem vida pelo filho, que estranhou a falta de contato. As investigações avançaram com a localização de uma peça de roupa com manchas de sangue em uma caçamba de lixo, supostamente descartada pela suspeita. Além disso, câmeras de segurança registraram Paola entrando no condomínio às 7h e saindo às 15h30, vestindo roupas diferentes das que usava na chegada e carregando uma sacola que seria de uma das vítimas, elementos cruciais para a elucidação do caso.
Segundo a polícia, Paola Stefany Neto Cirino teria confessado o crime, admitindo ter matado o casal e vendido os objetos subtraídos do apartamento, como relógios, bolsa e celulares, por cerca de R$ 3 mil. No momento de sua prisão, agentes teriam encontrado com ela o valor de R$ 18 mil em dinheiro. O delegado Barletta pontuou que, apesar da estimativa de R$ 200 mil em bens, “na rua, o que vale é o momento, a rapidez”, indicando que o valor de revenda de R$ 3.300 não seria “mentira”.
A Polícia Civil informou ao UOL que o caso segue em apuração, com a realização de depoimentos, mantendo a linha de investigação de latrocínio. Cláudio Atala Inácio era um advogado respeitado, fundador do escritório Atala Inácio & Advogados Associados, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio foi proprietária de uma loja de presentes e artigos de decoração. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) lamentou o ocorrido e anunciou a criação de uma comissão especial para atuar como assistente de acusação no processo criminal, caso haja denúncia, demonstrando a gravidade e a repercussão do crime.
Fonte: *Google Trends*