Em uma revelação estarrecedora, uma cidadã filipina de 51 anos veio a público detalhar uma rotina de 12 anos que, segundo ela, se assemelhava a uma ‘prisão particular’ sob o domínio da cônsul honorária do Brasil no Líbano, Siham Harati. A trabalhadora doméstica, que quase não fala português, esteve entre São Paulo e o país do Oriente Médio, alegando ter sido submetida a condições análogas à escravidão em uma residência de alto padrão no Morumbi, na capital paulista.
A decisão de buscar ajuda e expor sua história veio em fevereiro, após a filipina afirmar ter sido impedida de viajar às Filipinas para o casamento de seu filho. A cônsul Harati, segundo o depoimento, teria negado a liberação sob a alegação de doença e sugerido o adiamento da cerimônia familiar. Mesmo sem acesso a conta bancária no Brasil, dinheiro ou documentos, a vítima buscou um empréstimo para a passagem, prometido e posteriormente negado por Harati, acompanhada de um advogado, conforme a denúncia.
O resgate da trabalhadora foi orquestrado em São Paulo após uma representação do Consulado das Filipinas, que acionou a Polícia Militar com o auxílio do assistente consular Luiz Philipe de Oliveira. Em suas palavras, o assistente relatou ao Metrópoles que a mulher “pedia socorro todos os dias”. Atualmente, Siham Harati é alvo de uma investigação conjunta do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal por crime análogo à escravidão, acusações que a cônsul nega veementemente.
Em depoimento à Polícia Federal, cujo teor foi acessado pela imprensa, a vítima descreveu jornadas de trabalho exaustivas, que se iniciavam às 6h30 e se estendiam até as 19h30, sem folgas ou férias. Embora tivesse um salário nominal de US$ 550, ela não tinha acesso ao valor, que era enviado integralmente à sua família nas Filipinas. Além de dividir-se entre seis meses no Brasil e seis no Líbano, a trabalhadora era responsável por outras duas residências, pertencentes a uma filha de Siham, e seu contato com familiares era restrito. “Eu não podia sair sozinha. Eu só fazia o que ela falava para eu fazer e, muitas vezes, ela me ameaçava quando a questionava”, relatou a funcionária.
Após 12 anos sem ver os filhos, a vítima expressa o desejo urgente de retornar ao seu país de origem e reencontrá-los. Contudo, ela busca primeiramente reaver seus direitos e alcançar alguma estabilidade financeira antes de tentar o retorno. Enquanto isso, a defesa de Siham Harati enviou uma nota contestando todas as acusações, ponto a ponto. A cônsul alega que a funcionária tinha liberdade para sair da residência e que a acompanhava em viagens a seu próprio pedido. Ela também afirma que os valores salariais eram enviados à família da funcionária por solicitação dela própria. O Itamaraty, por sua vez, declarou ter conhecimento do caso, mas enfatizou que Siham Harati não possui relação profissional direta com a pasta. A Polícia Federal continua as diligências para a conclusão do inquérito.
Fonte: Noticias Metropoles



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