A renomada atriz Demi Moore, antes da cerimônia de abertura do 79º Festival de Cinema de Cannes, fez um apelo à indústria cinematográfica, instando-a a buscar formas de coexistir e se proteger da inteligência artificial (IA), em vez de embarcar em uma batalha que ela considera fadada ao fracasso. A declaração da estrela de Hollywood adiciona uma perspectiva crucial ao debate em andamento sobre o futuro da produção cinematográfica diante do avanço tecnológico, que tem gerado tanto otimismo quanto apreensão em diversas áreas.
Em conversa com jornalistas, Moore enfatizou a inevitabilidade da IA, afirmando que “a IA está aqui. Portanto, lutar contra ela é, de certa forma, lutar contra algo que é uma batalha que perderemos. Portanto, encontrar maneiras de trabalhar com ela é um caminho mais valioso a ser seguido”. A atriz, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar pelo filme de terror corporal “A Substância” após sua estreia em Cannes em 2024 e retorna ao festival neste ano como uma das nove juradas que concederão o prêmio principal da Palma de Ouro em 23 de maio, questionou a eficácia das medidas de proteção atuais, sugerindo que “provavelmente não” estamos fazendo o suficiente para nos proteger adequadamente.
Embora o Festival de Cannes não permita o uso de IA generativa em sua competição oficial, o papel da tecnologia na produção de filmes permanece um dos temas centrais e mais discutidos do evento. O festival, conhecido por sua defesa intransigente do que se qualifica como cinema e por seu papel como guardião da arte cinematográfica tradicional, encontra-se no epicentro dessa discussão, buscando equilibrar inovação com a preservação da autenticidade artística. A preocupação de Moore ressoa com as ansiedades e esperanças que permeiam os bastidores e as salas de exibição do festival, onde o impacto da IA é um tópico constante de debate.
Em um contexto relacionado à evolução do cinema global, Park Chan-wook, o primeiro cineasta coreano a presidir o júri de Cannes, refletiu sobre a notável ascensão da Coreia como uma potência no setor cinematográfico. Desde que apresentou seu aclamado thriller “Oldboy” em Cannes em 2004, Chan-wook testemunhou uma transformação notável, onde a Coreia deixou de ser percebida como uma periferia para se tornar um centro influente no cenário mundial do cinema, evidenciando uma globalização cada vez maior da indústria.
Park explicou que “a Coreia não está mais na periferia da indústria cinematográfica global” e atribuiu isso não apenas ao sucesso expressivo dos filmes coreanos, mas também à expansão do próprio “centro” da indústria cinematográfica global. Essa mudança de paradigma, segundo ele, foi o que possibilitou sua nomeação para a prestigiosa presidência do júri. Ele ainda garantiu que não haveria qualquer tipo de viés em relação ao filme coreano “Hope”, de Na Hong-jin, que está na competição, demonstrando um compromisso com a imparcialidade.
Ao abordar o desafio inerente de comparar os 22 filmes da competição e classificá-los em primeiro, segundo e terceiro lugares, Park Chan-wook admitiu que tal ato pode parecer “sem sentido” dada a subjetividade da arte. Contudo, ele rapidamente ressaltou o valor inerente a essa tarefa, descrevendo-a como uma oportunidade singular de “contar a todo mundo e pedir que, por favor, assistam a esses filmes”. Essa perspectiva sublinha a missão essencial do festival de celebrar, promover e direcionar a atenção global para a sétima arte em todas as suas diversas e enriquecedoras manifestações.
Fonte: Cultura e Arte – G1