“Dominguinho 2”: Sucesso Repetido com Menos Espontaneidade

O cenário musical brasileiro recebe o lançamento de “Dominguinho vol. 2”, o aguardado segundo volume do projeto que reúne os artistas Jota.Pê, João Gomes e Mestrinho. Lançado nesta quinta-feira, 7 de maio, o álbum surge como uma imposição mercadológica direta do retumbante sucesso alcançado pelo volume original, lançado em abril do ano anterior. O primeiro disco, que registrou um show acústico sem plateia no Centro Histórico de Olinda (PE), transformou-se em uma turnê que arrastou multidões por todo o Brasil, consolidando a união do trio e elevando a popularidade de Jota.Pê e Mestrinho a um novo patamar no competitivo mercado fonográfico.

Composto por 12 faixas, “Dominguinho vol. 2” segue à risca a fórmula de seu antecessor, apresentando um registro audiovisual ao vivo. Desta vez, a gravação ocorreu em 11 de março de 2026, durante uma performance do trio no histórico Centro de Salvador (BA). A essência do projeto, marcada pela doçura no canto dos três vocalistas, permanece evidente. Essa característica é particularmente acentuada pela melíflua e grave voz de João Gomes, que atua como o motor central do projeto. A sonoridade é carinhosamente adornada pelo toque afetuoso da sanfona de Mestrinho, elemento crucial que enriquece o repertório focado na vasta música nordestina, genericamente enquadrada como forró.

Apesar de reproduzir a doçura e a sonoridade que cativaram o público, a crítica aponta para uma perceptível redução na espontaneidade que marcou o álbum original. Essa diminuição pode ser atribuída ao fato de que, para este segundo volume, o trio já tinha a plena consciência do impacto e das expectativas geradas pelo sucesso do primeiro projeto. O repertório do “Dominguinho vol. 2” traz novidades, como a inédita “Deusa minha”, assinada por um coletivo de compositores, mas também revisita clássicos.

Dentre as regravações que compõem o disco, destacam-se o apaixonado xote “Ligação estranha”, de Dorgival Dantas (2017), e um eficaz medley que conecta o sucesso “Meu cenário”, de Petrúcio Amorim (2003) – eternizado por Flávio José no circuito nordestino – com o standard “Numa sala de reboco” (1965), de Luiz Gonzaga e Zé Marcolino. Este último, uma homenagem ao “Rei do Baião”, é evocado pela voz grave de João Gomes e seu chapéu de vaqueiro, símbolos que se tornaram sua marca registrada.

O álbum ainda explora a melancolia em temas como “Verão sem calor” (Jadson Araújo, 2022), uma letra liricamente popular. Em um movimento que “joga para a galera”, o trio surpreende com uma recriação peculiar do funk melody “Se ela dança, eu danço” (2006), sucesso autoral de MC Leozinho. Essa inclusão reflete a dinâmica dos shows “Dominguinho”, que frequentemente evoluem para um baile na segunda metade, com o trio incorporando hits alheios. Quando o repertório inédito, como “Dois mundos” (Mestrinho, 2006), demonstra um poder de sedução moderado, a aposta em um megahit como “As Quatro Estações” (Sandy, Álvaro Socci e Claudio Matta, 1999), da dupla Sandy & Junior, regravado na cadência do xote, revela-se uma tática certeira para o engajamento ao vivo. Embora no álbum o clima da regravação de Sandy & Junior possa soar outonal, no palco, com o calor da plateia, a expectativa é de um sucesso vibrante. “Dominguinho vol. 2” é, em sua essência, um produto concebido para perpetuar a série de apresentações do trio pelo país, solidificando o prestígio de João Gomes e amplificando a popularidade de Jota.Pê e Mestrinho, garantindo que o projeto mantenha fôlego e permaneça em cena por um longo período.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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