A MG Coutinho Serviços Cenográficos, empresa encarregada da montagem do palco para o aguardado show de Shakira na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, estava operando em situação irregular. Segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ), a empresa não possuía o registro necessário no órgão para desempenhar atividades de engenharia, uma constatação que veio à tona após um trágico acidente no local.
O CREA-RJ revelou que já havia enviado dois ofícios à Bônus Track, a produtora do evento, com o intuito de fiscalizar o cumprimento das normas relativas ao exercício da profissão de engenheiro. As solicitações incluíam a lista de empresas e profissionais técnicos envolvidos na instalação e manutenção do palco do evento. No entanto, a ausência de registro da MG Coutinho configura uma grave falha nas exigências legais e de segurança.
O acidente fatal ocorreu durante a montagem da estrutura, vitimando Gabriel de Jesus Firmino, de 28 anos, um técnico em segurança do trabalho. De acordo com testemunhas e as equipes de resgate, o trabalhador foi atingido por uma estrutura que desabou, sofrendo esmagamento dos membros inferiores. Apesar do rápido socorro e de ter sido levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, ele não resistiu aos ferimentos.
Em resposta às acusações, a produtora Bônus Track defendeu a MG Coutinho, afirmando que a empresa conta com engenheiro técnico regularmente registrado no CREA-RJ para o acompanhamento e execução do projeto, e que este profissional assina todos os laudos técnicos. A produtora também salientou a experiência da MG Coutinho em grandes eventos desde 2021, incluindo participações em festivais renomados como The Town e Rock in Rio.
Contrariando a defesa da produtora, a fiscalização do CREA-RJ, que acompanhava a montagem desde 7 de abril, confirmou que autuará e multará a MG Coutinho. A nota oficial do Conselho reiterou que a empresa não detinha registro para atividades de engenharia e, tampouco, um responsável técnico próprio registrado junto ao órgão. O superintendente técnico do CREA-RJ, engenheiro Leonardo Dutra, reforçou a criticidade de se ter profissionais e empresas legalmente habilitadas para mitigar os riscos inerentes a atividades técnicas.
O CREA-RJ exigiu da Bônus Track a entrega, em até quatro dias, de uma relação detalhada de todas as empresas e profissionais prestando serviços técnicos para o show de Shakira, incluindo razão social, CNPJ ou CPF, endereço, número, objeto e vigência dos contratos, bem como cópias dos respectivos documentos. Esta medida visa garantir a conformidade e a segurança em eventos de grande porte, especialmente após o lamentável incidente que resultou na perda de uma vida.
Fonte: ENTRETENIMENTO – Metrópoles