A seleção da Escócia se prepara para um confronto decisivo contra o Brasil nesta quarta-feira (24/6) com um grande desafio em mãos. Além da necessidade imperativa de um resultado positivo para suas aspirações na Copa do Mundo, a equipe comandada por Steve Clarke enfrenta uma preocupante carência ofensiva, evidenciada na recente derrota por 1 a 0 para Marrocos, onde não registrou sequer uma finalização na direção do gol adversário. Este desempenho negativo ecoa um registro histórico, marcando a primeira vez que os escoceses repetem tal estatística em um Mundial desde 1986.
O último episódio similar ocorreu em 13 de junho de 1986, durante o empate sem gols contra o Uruguai, pela terceira rodada do Grupo E da Copa do Mundo do México. Naquela ocasião, mesmo atuando com um jogador a mais por quase toda a partida após a expulsão precoce do uruguaio Batista, a Escócia falhou em finalizar ao gol, resultando na eliminação da competição e na lanterna do grupo com apenas um ponto.
Contra Marrocos, a situação se mostrou igualmente frustrante. Apesar de ter efetuado seis chutes durante o embate, nenhum deles encontrou a meta defendida por Bounou. No segundo tempo, em momentos de maior pressão sobre os africanos, a falta de pontaria foi um fator determinante que custou o resultado esperado.
A dificuldade em criar e concluir jogadas ofensivas é uma preocupação reconhecida internamente. O capitão da equipe, Andrew Robertson, lateral do Liverpool, admitiu que a seleção tem demonstrado mais consistência defensiva do que capacidade de criação nos dois primeiros compromissos da competição.
“Acho que defensivamente, nos dois primeiros jogos da fase de grupos, nós provavelmente fomos melhores do que atacando. Talvez não tenhamos criado tantas chances e coisas assim, e estamos trabalhando muito duro para tentar fazer isso porque sabemos que precisamos fazer gols. Não podemos passar 90 minutos apenas defendendo e sem a bola. Então temos que bolar um plano também para conseguir reter a bola e criar nossas próprias chances, e é para isso que estamos trabalhando. Tomara que amanhã à noite a gente consiga juntar tudo isso”, declarou Robertson, sublinhando a urgência de uma mudança tática e de atitude.
As críticas ao estilo de jogo da Escócia não pouparam o técnico Steve Clarke, frequentemente apontado pela imprensa local como excessivamente cauteloso. O treinador, contudo, rebateu as avaliações, defendendo a flexibilidade tática de sua equipe.
“Eu não sei o porquê, mas a mídia escocesa aqui me mata por eu ser conservador. Eu acho que já mostramos no meu tempo no comando, quer algumas pessoas concordem ou não, que podemos ser bem flexíveis com o nosso sistema. Nós usamos o sistema 5-3-2 ou o 5-4-1 com bom efeito antes. Desta vez, temos nos concentrado principalmente na linha de quatro atrás. Mas para o jogo de amanhã, vocês vão ter que esperar para ver, porque eu não quero contar ao Carlo o que vamos fazer”, afirmou Clarke, mantendo em segredo sua estratégia para o confronto contra o Brasil.
A missão escocesa diante do Brasil, portanto, transcende a simples busca pela vitória. A equipe precisa encontrar um equilíbrio vital entre a segurança defensiva, que tem sido seu ponto forte, e a necessidade premente de ser mais agressiva e eficaz no ataque. Repetir a performance ofensiva nula contra Marrocos pode significar o fim do sonho de alcançar, pela primeira vez na história, uma vaga no mata-mata de uma Copa do Mundo.
Fonte: Copa 2