Especialista vê potenciais crimes em áudio de Flávio com Vorcaro

Um áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), solicita dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme biográfico de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), revelou uma “relação de intimidade” que abre margem para a investigação de diversas frentes criminais, segundo o professor de Direito Constitucional Gustavo Sampaio.

Em entrevista à BandNews TV, Sampaio destacou que, apesar de a investigação estar em fase inicial, o conteúdo da gravação interceptada pela Polícia Federal e confirmada pela Band com a Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República, implica graves repercussões jurídicas. As conversas, que ocorreram em 16 de novembro de 2025, indicam um pedido de Flávio Bolsonaro para o patrocínio da produção “Dark Horse”.

Um dos pontos centrais da análise do especialista é o possível crime de tráfico de influência. Sampaio explicou que, para a configuração desse delito, é fundamental demonstrar que a solicitação de recursos visava a obtenção de vantagens perante servidores públicos. O professor enfatizou a amplitude do conceito de servidor público no Código Penal, que abrange “qualquer agente privado na gestão de patrimônio público para fins penais”. A situação é agravada pelo fato de o Banco Master, de Vorcaro, ter recebido aportes que potencialmente envolvem recursos públicos.

A transferência de R$ 61 milhões para uma empresa internacional, destinada a custear a produção do filme nos Estados Unidos, levanta outro sinal de alerta. Gustavo Sampaio ressaltou que os investigadores devem apurar rigorosamente se essa estrutura foi empregada para ocultar a origem ilícita de valores, o que caracterizaria lavagem de dinheiro. “A remessa de valores vultosos para o exterior sob o pretexto de patrocínio precisa ser investigada a miúdo para definir se houve ou não crime de lavagem de capitais”, pontuou o professor, indicando a complexidade da operação.

Adicionalmente, mesmo que o período em questão não fosse de campanha oficial, Sampaio alertou que o uso de um filme biográfico de grande envergadura pode ser interpretado como uma peça de propaganda política. A jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) é explícita quanto à proibição de aporte de capital privado para financiamento de campanha. “Se um filme dessa magnitude tem por destino produzir resultados eleitorais, estamos diante de uma possível violação das normas eleitorais”, explicou o professor.

Os policiais federais interceptaram uma série de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, revelando que pagamentos totalizando cerca de R$ 61 milhões foram realizados desde 2024. O valor restante de um total estimado em R$ 134 milhões não foi transferido devido ao contexto do Banco Master. Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que os recursos não são de origem pública. Contudo, a declaração de Imposto de Renda do Banco Master registra um repasse de R$ 2,39 milhões para a empresa “Entre Investimentos”, usada para financiar o filme, além de outros repasses à mesma empresa, intensificando a necessidade de esclarecimentos por parte das autoridades competentes.

Fonte: BAND JORNALISMO

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