Fisiculturismo: Fama, Mercado Bilionário e Riscos à Saúde

O fisiculturismo, antes um nicho restrito, transformou-se em um fenômeno global, impulsionado pela ascensão das redes sociais. Nos últimos anos, milhares de jovens foram atraídos para a modalidade, com influenciadores fitness acumulando milhões de seguidores ao compartilhar rotinas de treino, dietas rigorosas e impressionantes transformações físicas. O destaque nacional é Ramon Dino, o “Dinossauro do Acre”, que se tornou o primeiro brasileiro a vencer a principal competição mundial de fisiculturismo, simbolizando a explosão do esporte no país.

Essa expansão não se limitou à fama, movimentando um mercado bilionário. Segundo Tamer El Guindy, um dos maiores promotores de eventos fitness do mundo, o setor gera entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões anualmente no Brasil, colocando o país como o segundo maior mercado global, atrás apenas dos Estados Unidos. A profissionalização trouxe consigo grandes eventos, patrocínios, marcas de suplementos, roupas fitness e academias especializadas, criando uma legião de fãs que acompanham de perto a rotina dos atletas.

No entanto, por trás dos músculos esculpidos e da visibilidade nas redes, reside uma realidade marcada por sacrifícios extremos. Fisiculturistas enfrentam anos de dedicação, consumindo até 8 mil calorias diárias em fases de ganho de massa, e adotando dietas extremamente restritivas para atingir percentuais de gordura corporal de apenas 2% a 3% antes das competições. Além da alimentação rigorosa, são submetidos a protocolos intensos de treino, privação social, controle absoluto da rotina e severos processos de desidratação para maximizar a definição muscular.

Um dos aspectos mais controversos e perigosos do fisiculturismo profissional é o uso de hormônios e anabolizantes. Apesar de sua prevalência no esporte de alto nível, especialistas alertam para a inexistência de uma dose segura para fins estéticos. Médicos apontam que os efeitos colaterais variam desde problemas cosméticos como acne e queda de cabelo até condições cardiovasculares graves, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, além da atrofia testicular em decorrência do uso inadequado de testosterona e outros esteroides.

A gravidade desses riscos foi recentemente evidenciada pela morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, que faleceu devido a cardiomiopatia hipertrófica, uma doença cardíaca que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes, substâncias que ele havia admitido utilizar. O caso de Ganley e os alertas de cardiologistas como Alexandre Carvalho sublinham a importância de conscientização sobre os perigos inerentes a essa busca por um físico superforte e esculpido, onde a linha entre a disciplina e o risco à saúde se torna cada vez mais tênue.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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