A Great Wall Motors (GWM) está implementando uma significativa redefinição estratégica para a marca Ora, sinalizando uma guinada em seu posicionamento global e portfólio de produtos. A mudança de comando da marca, ocorrida em junho de 2025, antecede esta nova diretriz que visa transformar a Ora de uma marca predominantemente focada no público feminino e em veículos elétricos, para uma abordagem mais abrangente, mirando jovens urbanos globalmente e incorporando opções de motorização que incluem propulsores a combustão e híbridos.
Desde sua fundação em 2018, a Ora operou exclusivamente no segmento de veículos elétricos, notabilizando-se por modelos como o Ora 03, sucesso de vendas no Brasil, e o recém-lançado Ora 5, uma variante SUV. Outros veículos elétricos como o sedã Ora 07 e o Ballet Cat, conhecido por sua inspiração no clássico VW Fusca, também compõem seu catálogo. Contudo, essa exclusividade elétrica está prestes a mudar drasticamente, com a projeção de que carros híbridos e a combustão passem a integrar a linha da Ora já em 2026, respondendo a uma demanda mundial por maior autonomia e praticidade no uso diário. Esta reorientação estratégica também contemplará uma reformulação estética, buscando um design mais masculino tanto no exterior quanto no interior dos veículos.
Para suportar essa diversificação de motorizações, a Ora adotará uma plataforma inédita, concebida para acomodar conjuntos propulsores elétricos, híbridos e térmicos. Um dos destaques é o novo sistema híbrido (HEV), que associa um motor 1.5 turbo a uma transmissão de duas marchas, representando uma evolução do sistema empregado nos SUVs da Haval. Este conjunto promete uma notável eficiência de consumo, alcançando 22,2 km/l, e é projetado para otimizar o desempenho, evitando perdas de força em velocidades elevadas e simplificando a complexidade de múltiplas marchas. Para maximizar a autonomia, o sistema híbrido integrará um mecanismo inovador de desconexão do motor elétrico traseiro, minimizando o arrasto mecânico e, consequentemente, elevando a economia de combustível em cenários rodoviários.
A inovação não se restringe à autonomia, mas também à engenharia estrutural. O novo sistema híbrido será 15% mais leve e 5% mais compacto em comparação com a geração anterior. Essa redução de peso e volume é crucial para compensar a adição das baterias e aprimorar o comportamento dinâmico dos veículos. Adicionalmente, para mercados que ainda manifestam forte demanda por opções tradicionais, a plataforma permitirá uma versão exclusivamente equipada com o motor 1.5 turbo e uma transmissão de dupla embreagem de sete marchas, sem qualquer assistência elétrica, prometendo médias de consumo de 15,6 km/l, conforme dados fornecidos pela fabricante.
A eletrônica embarcada dos futuros modelos Ora será padronizada, garantindo que as versões a combustão, híbridas e elétricas compartilhem um pacote tecnológico equitativo. O painel de instrumentos será dominado por uma tela multimídia de 39 cm com resolução 2.5K. O sistema operacional Coffee OS 3, impulsionado por um processador de alta velocidade e 24 GB de memória RAM, assegura a inicialização do visor em menos de três segundos e oferece amplo suporte para comandos de voz integrados à inteligência artificial, elevando a experiência do usuário.
A nova arquitetura veicular também habilitará a integração de sensores LiDAR para condução autônoma avançada em todas as configurações, igualando o nível de assistência de condução. A GWM planeja a apresentação iminente de uma família renovada de veículos, incluindo novos SUVs e sedãs. O objetivo principal da GWM com esta estratégia é equilibrar a competição de preços no mercado e oferecer maior autonomia e tecnologia frente a rivais de peso como a BYD, consolidando a Ora como uma marca globalmente competitiva e tecnologicamente avançada.
Fonte: AUTOMOVEIS – Quatro Rodas