A cantora norte-americana Katy Perry perdeu uma prolongada batalha judicial por marca registrada contra a designer australiana Katie Perry, conforme decisão da Alta Corte da Austrália proferida em 11 de março de 2026. A disputa, que se estendeu por 16 anos e envolveu nomes quase idênticos no cenário público e comercial, culminou em um veredito que valida o direito da designer de utilizar seu nome em seu negócio de vestuário.
A controvérsia teve início com Katie Taylor, cujo sobrenome de solteira é Perry. Em Sydney, a designer estabeleceu um modesto negócio de roupas sob o nome Katie Perry, comercializando suas peças em feiras locais, redes sociais e por meio de um website. Em 2007, ela buscou registrar oficialmente a marca, mas enfrentou atrasos e um erro administrativo que resultou no registro formal da marca “Katie Perry” para vestuário apenas em 29 de setembro de 2008.
Concomitantemente, em abril de 2008, a cantora Katy Perry lançou o single “I Kissed a Girl”, que rapidamente alcançou sucesso global, catapultando-a para a fama internacional. Na Austrália, a notoriedade da cantora crescia exponencialmente. Curiosamente, a designer australiana, à época, chegou a adquirir a música no iTunes, com a intenção de apoiar uma artista que compartilhava o mesmo nome que ela havia adotado para sua marca, sem prever a futura contenda legal.
A situação escalou em 2009, quando Katie Taylor recebeu uma notificação legal, conhecida como ‘cease and desist’, dos advogados da cantora. O documento exigia a interrupção imediata da venda de roupas sob o nome Katie Perry, o encerramento do site da marca e a suspensão de qualquer publicidade relacionada. A designer expressou à CNN seu choque e emoção ao receber a notificação, descrevendo a experiência como confusa e injusta, sentindo que não havia cometido qualquer erro.
Mensagens internas da equipe da cantora, posteriormente incluídas em documentos judiciais, revelaram a irritação de Katy Perry com a cobertura midiática do caso. Em troca de e-mails com seu empresário, Steven Jensen, a cantora demonstrou frustração, referindo-se à situação como “exagerada fora de proporção” e utilizando termos fortes como “idiotas” em suas comunicações, após a MTV ter dado atenção ao assunto. Jensen havia argumentado que a cantora não estava tentando impedir o uso do nome e que não havia processo formal por violação de marca naquele momento, sugerindo uma declaração pública que Perry recusou, optando por uma nota atribuída à sua gestão.
Uma proposta de acordo de coexistência, permitindo o uso de nomes semelhantes sob certas condições, foi oferecida pela equipe da cantora, mas foi rejeitada pela designer australiana. A disputa ganhou novo ímpeto em 2019, quando Katie Taylor moveu um processo alegando violação de marca registrada. A designer argumentou que a cantora, durante sua turnê de 2014 na Austrália, havia vendido produtos de vestuário como camisetas, casacos e moletons utilizando o nome Katy Perry, infringindo os direitos de sua marca já registrada para roupas no país.
O processo judicial foi marcado por diversas fases e decisões contraditórias. Em 2023, Katie Taylor obteve uma vitória substancial, com um tribunal reconhecendo a violação de marca registrada. Contudo, essa decisão foi revertida no ano seguinte, após um recurso da equipe jurídica da cantora. O caso, então, ascendeu à mais alta instância judicial australiana, a Alta Corte, para a decisão final.
Em seu julgamento de 11 de março de 2026, a Alta Corte da Austrália manteve o registro da marca da designer. Os juízes concluíram que a reputação consolidada da cantora no país não implicava uma confusão automática entre as duas identidades no mercado de vestuário. O juiz Simon Steward destacou a ausência de evidências concretas de consumidores confundindo as duas marcas e mencionou que o próprio empresário da cantora não tinha conhecimento de tais casos. Adicionalmente, a corte rejeitou o argumento de que a notoriedade da cantora já se estendia ao setor de roupas em 2008 e chegou a descrever a conduta da equipe da cantora como a de um “infrator persistente” da marca registrada da designer.
Após o anúncio do veredicto, Katie Taylor expressou seu alívio e satisfação. “Essa foi uma jornada incrivelmente longa e difícil”, afirmou ela, ressaltando a importância da decisão para as leis de marcas registradas e para negócios de todos os portes. Em entrevista ao programa australiano A Current Affair, a designer comentou o impacto pessoal da disputa, que consumiu grande parte de sua vida, e a motivação de dar um exemplo de resiliência a seus filhos.
Em resposta à decisão, a equipe de Katy Perry divulgou um comunicado reafirmando que a cantora nunca teve a intenção de fechar o negócio da designer ou impedi-la de vender roupas sob o nome Katie Perry. O comunicado também informou que a decisão da Alta Corte foi tomada por três votos a dois e que questões adicionais, como o longo intervalo de tempo entre os eventos e o início do processo, ainda podem ser analisadas por tribunais inferiores.
Fonte: CURIOSIDADES – Misterios do Mundo