Lula e Janja Cobram Responsabilização por Mortes de Covid

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Janja cobraram veementemente nesta segunda-feira (11) a responsabilização dos ministros do governo Jair Bolsonaro, incluindo o próprio ex-presidente, pelas falhas na adoção de ações de prevenção e controle da covid-19. A pandemia resultou em mais de 700 mil mortes no Brasil, um número que, segundo o presidente, poderia ter sido significativamente menor com uma gestão adequada.

A declaração foi proferida durante um evento que instituiu o dia 12 de março como marco em memória das vítimas da doença, data que coincide com o registro da primeira morte por covid-19 no país, em 2020, na cidade de São Paulo. Lula criticou a conduta do governo anterior, apontando para o incentivo ao uso de medicamentos sem comprovação científica, como a cloroquina, e a constante troca de ministros da Saúde, o que, para ele, denotou uma falta de direção clara no combate à crise sanitária. A pasta teve quatro chefes durante o período: Luiz Henrique Mandetta (janeiro de 2019 a abril de 2020), Nelson Teich (abril a maio de 2020), general Eduardo Pazuello (setembro de 2020 a março de 2021) e Marcelo Queiroga (março de 2021 a dezembro de 2022).

O presidente foi particularmente duro ao se referir ao general Eduardo Pazuello, que esteve à frente do Ministério da Saúde durante o pico de mortes diárias pela pandemia, classificando-o como um “general totalmente desinformado e ignorante”. Após sua saída do governo, Pazuello concorreu a deputado federal pelo PL do Rio de Janeiro, sendo o segundo mais votado do estado com 205 mil votos.

Lula também levantou questionamentos sobre a ausência de processos por crimes contra a humanidade movidos por entidades contra integrantes do governo Bolsonaro e a falta de punição a médicos que prescreveram tratamentos sem respaldo científico. Para o presidente, uma condução diferente da crise sanitária poderia ter salvo até 400 mil vidas, justificando a necessidade de expor o que ocorreu no período e estabelecer uma data anual para recordar os fatos. “Se a gente não faz isso, cai no esquecimento e é tudo o que eles desejam”, afirmou.

O SBT News tentou contato com o general Eduardo Pazuello para obter um posicionamento sobre as declarações, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para sua manifestação.

Em seu discurso que precedeu o do marido, a primeira-dama Janja igualmente cobrou a responsabilização das autoridades do governo anterior. Janja se emocionou ao relembrar a perda de sua mãe, Vani Terezinha Ferreira, que faleceu em outubro de 2020, vítima da doença, enquanto enfrentava um diagnóstico de Mal de Alzheimer.

A primeira-dama também abordou a recente controvérsia envolvendo o uso de produtos da marca Ypê. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) identificou risco sanitário devido à contaminação bacteriana em lotes com numeração final 1, abrangendo detergentes e sabões líquidos, e recomendou aos consumidores que evitassem o uso. A questão, contudo, foi politizada, com movimentos ligados ao bolsonarismo alegando uma campanha para difamar a empresa – cuja família controladora realizou doações para a campanha do ex-presidente em 2022. Registros em redes sociais mostram usuários realizando atos perigosos como lavar o rosto, tomar banho e até beber produtos da Ypê.

Janja traçou um paralelo entre a desinformação propagada durante a pandemia e o cenário atual. “Até quando a gente vai ver gente bebendo detergente contaminado? É muita ignorância”, lamentou a primeira-dama, evidenciando a persistência de comportamentos de risco impulsionados pela falta de informação correta.

Fonte: NOTICIAS – SBT NEWS

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