Ministro e PF em Encontro Luxuoso de Banqueiro

Um encontro de autoridades brasileiras em Londres, ocorrido em abril de 2024, que incluiu a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, ao lado do empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, tem gerado debates e levantado questões sobre transparência e conflito de interesses. O evento, uma degustação do whisky Macallan, foi realizado no exclusivo George Club, na prestigiosa região de Mayfair, e teve seu custo bancado pelo Banco Master, totalizando centenas de milhares de dólares para apenas uma de suas atividades.

A degustação, ocorrida em 25 de abril de 2024, durou duas horas e proporcionou aos cerca de 40 participantes a oportunidade de experimentar o renomado whisky Macallan e desfrutar de charutos oferecidos. O George Club, um clube privado conhecido por sua exclusividade, foi alugado para a ocasião, inserindo o evento em um contexto de alto padrão. Este encontro fazia parte de uma série de atividades relacionadas ao 1º Fórum Jurídico – Brasil de Ideias, que transcorreu entre 24 e 26 de abril de 2024 e contou com o patrocínio master do Banco Master, então sob o controle de Daniel Vorcaro.

Os custos detalhados da degustação vieram à tona através de documentos da organização do evento, que foram encaminhados pela Polícia Federal à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo esses registros, a experiência da degustação do whisky Macallan, juntamente com serviços gastronômicos e de entretenimento no George Club, alcançou a cifra de US$ 640.831,88, o equivalente a aproximadamente R$ 3,2 milhões, considerando o câmbio de abril de 2024. Ao final, cada convidado foi agraciado com uma garrafa de whisky Macallan de edição especial.

A série completa de eventos promovidos pelo Banco Master em Londres, de 24 a 26 de abril de 2024, revelou um custo ainda mais expressivo, atingindo US$ 6.035.922,37. Este montante abrangeu, além da degustação, hospedagem em hotéis de luxo como o The Peninsula e a utilização de outros clubes privados de Mayfair, como Annabel’s e Nikita, bem como eventos no museu Wallace Collection. A grandiosidade e o custo associado a tais eventos têm sido objeto de questionamentos, especialmente após as investigações da Polícia Federal apontarem Daniel Vorcaro como suposto líder de um esquema de fraude no sistema financeiro.

A proximidade entre o banqueiro e as autoridades ganhou relevância em discussões internas do STF. Em uma sessão fechada realizada em 12 de fevereiro de 2026, a Corte avaliou um relatório da Polícia Federal que subsidiava o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria de um inquérito envolvendo o Banco Master. Na ocasião, Alexandre de Moraes, ao comentar a presença de ministros no evento, afirmou: “Nesse encontro [em Londres], vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan.”

Outros pontos de preocupação surgiram com a revelação de contratos de prestação de serviços advocatícios entre o Banco Master e escritórios ligados a familiares de ministros. Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, declarou que seu escritório começou a atender o Banco Master em fevereiro de 2024, cerca de dois meses antes da viagem a Londres, com um contrato que rendeu aproximadamente R$ 80 milhões em 22 meses. Da mesma forma, o escritório da família de Ricardo Lewandowski manteve contrato com Daniel Vorcaro de agosto de 2023 a setembro de 2025, período em que Lewandowski atuava como Ministro da Justiça no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A lista de convidados para o fórum jurídico em Londres incluiu uma vasta gama de autoridades e empresários, sublinhando a dimensão do networking promovido pelo Banco Master. A Polícia Federal, questionada desde 13 de fevereiro de 2026 sobre quem custeou as despesas de viagem do diretor-geral Andrei Rodrigues, incluindo hospedagem, transporte e participação em atividades paralelas, não havia respondido aos questionamentos até a publicação desta reportagem. A transparência sobre o financiamento dessas participações permanece como um ponto central nas discussões éticas e legais envolvendo o caso.

Fonte: www.poder360.com.br

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