Guto Graça Mello, um dos mais influentes produtores e diretores musicais da televisão brasileira, faleceu nesta terça-feira (5), no Rio de Janeiro, aos 78 anos. O artista estava internado no Hospital Barra D’or, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, por mais de um mês. Familiares informaram que a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. Ele deixa a viúva, a atriz Silvia Massari, duas filhas e dois enteados, legando um patrimônio artístico que transformou trilhas sonoras de novelas em verdadeiros fenômenos culturais e de mercado.
Entre suas criações mais emblemáticas, destaca-se a trilha sonora do programa Fantástico, da TV Globo, cuja composição original é de 1973 e contou com a participação de Boni como letrista. Em celebração aos 50 anos da canção em 2023, uma versão especial foi gravada pela cantora Anitta, reafirmando o caráter atemporal da obra de Graça Mello.
Ao longo de mais de cinco décadas de uma carreira prolífica, Guto Graça Mello produziu mais de 500 discos, contribuindo significativamente para a Música Popular Brasileira. Seu currículo inclui trabalhos com grandes nomes como Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e a produção do primeiro disco de Xuxa, solidificando sua reputação como um dos pilares da indústria fonográfica brasileira.
Sua marca na TV Globo estendeu-se a diversas produções, com a autoria de trilhas que embalaram a memória afetiva de milhões de brasileiros. Na década de 1970, ele compôs para novelas como ‘Gabriela’, ‘Saramandaia’, ‘Sinal de Alerta’, ‘Pai Herói’, e para os seriados ‘Ciranda Cirandinha’ e ‘Malu Mulher’. Para ‘Gabriela’, protagonizou um momento notável ao encomendar a abertura a Dorival Caymmi e apostar em “Alegre Menina”, musicada por Djavan a partir de um poema de Jorge Amado.
Um dos episódios mais célebres de sua trajetória profissional ocorreu em 1975, durante a produção da trilha sonora de ‘Pecado Capital’. Convocado às pressas pela Globo poucos dias antes da estreia, após a rejeição da trilha original por não se adequar ao contexto do subúrbio carioca, Graça Mello assumiu o desafio e criou toda a trilha em apenas três dias, demonstrando seu talento e agilidade ímpares.
Mesmo após deixar a Globo e a Som Livre em 1989, Guto Graça Mello permaneceu ativo no universo musical, produzindo discos, trilhas e jingles. Nos últimos anos, ele era um espectador atento das novelas, com um foco especial nas trilhas sonoras, uma área que ele ajudou a revolucionar e a elevar a um novo patamar de excelência na televisão brasileira.
Fonte: Cultura e Arte – G1