MPRJ Revisa Decisão e Recomenda Internação de Adolescente em Casos de Estupro Coletivo

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) formalizou, nesta quarta-feira (5/3), uma nova manifestação à Justiça, solicitando a internação provisória de um adolescente envolvido em um caso de estupro coletivo de uma jovem de 17 anos em Copacabana, zona sul da capital fluminense. A mudança na posição do órgão ministerial, anteriormente contrária à medida, ocorreu após o surgimento de uma segunda e grave denúncia contra o menor, intensificando a necessidade de uma medida socioeducativa mais rigorosa e visando a garantia da ordem pública.

Anteriormente, o promotor responsável pelo caso havia se posicionado contra a internação provisória do adolescente, propondo que ele fosse submetido a medidas cautelares enquanto as investigações progrediam, sem a necessidade de privação de liberdade imediata. Contudo, a emergência de um segundo registro de ocorrência, envolvendo outra vítima – uma garota de 14 anos – e com um *modus operandi* preocupantemente similar, impeliu a 1ª Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude Infracional da Capital a reavaliar a situação. A nova manifestação, agora peremptoriamente favorável à internação, foi enviada à Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente (VECA) na última segunda-feira (2/3), após a denúncia ser formalizada pela 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica da Área Centro, Núcleo Rio de Janeiro.

O adolescente, que é ex-namorado da primeira vítima, não apenas está implicado no estupro coletivo de 17 anos, mas agora também enfrenta sérias acusações relacionadas ao segundo caso de agressão sexual, ocorrido sob circunstâncias alarmantemente semelhantes. A gravidade das novas informações e a indicativa de reincidência do comportamento delituoso foram cruciais para a alteração do parecer do MPRJ, que justificou a mudança para garantir a ordem pública e a segurança das potenciais vítimas. O delegado Ângelo Lages, responsável pela apuração dos fatos, classificou o menor como o “mentor do crime”, destacando seu papel central e orquestrador na execução dos atos, que se repetiram em diferentes contextos.

Conforme as investigações policiais apuraram até o momento, o primeiro incidente se deu em 31 de janeiro, quando a jovem de 17 anos aceitou um convite para ir à casa de um amigo, localizada em Copacabana. No interior do prédio, o adolescente insinuou a realização de “algo diferente”, uma proposta prontamente recusada pela vítima. Dentro do apartamento, a garota foi conduzida a um quarto, onde foi trancada com outros três rapazes que, insistentemente, a pressionavam para manter relações sexuais. Diante da negativa reiterada da adolescente, os agressores passaram a despir-se e a praticar atos libidinosos, empregando violência física e psicológica. A vítima relatou às autoridades ter sido segurada pelos cabelos, agredida com um chute na região abdominal e impedida de deixar o cômodo, configurando um cenário de terror e submissão.

Além do adolescente, a apuração policial resultou na identificação e prisão de quatro indivíduos maiores de 18 anos envolvidos no caso: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18; Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18; João Gabriel Xavier Bertho, 19; e Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19. Todos os quatro estão atualmente detidos. Dois outros suspeitos, também menores de idade, foram desligados do Colégio Pedro II, instituição onde estudavam. A solicitação de internação provisória por parte do MPRJ é considerada uma medida crucial para o prosseguimento das investigações e para a garantia da integridade da comunidade, dada a seriedade das acusações e o perfil de “mentor” atribuído ao adolescente. O caso continua sendo apurado pelas autoridades competentes, que buscam reunir todas as provas necessárias para a completa elucidação dos fatos e a responsabilização dos envolvidos.

Fonte: Metropoles – Brasil

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