Novos livros ampliam bibliografia musical brasileira

Embora não sejam frequentemente best-sellers do mercado editorial, os livros sobre música brasileira possuem um público leitor fiel que sustenta o constante lançamento e circulação dessas obras nas prateleiras das livrarias. No primeiro semestre de 2026, a bibliografia musical nacional foi significativamente enriquecida com a chegada de quatro novas publicações, que mergulham nas carreiras e obras de ícones como Gilberto Gil, Tom Jobim, Nora Ney e Marcos Ariel.

Entre os destaques, ‘Águas de março – Sobre a canção de Tom Jobim’, organizado por Milton Ohata, oferece uma análise aprofundada de um dos mais emblemáticos sambas do maestro, composto em março de 1972. Lançado à altura de sua importância, o livro inclui dois depoimentos do próprio Antonio Carlos Jobim, um detalhamento da criação e gravação original do samba por Ohata, e três ensaios robustos de Arthur Nestrovski, Augusto Massi e Walter Garcia. Estes ensaios examinam minuciosamente a composição sob perspectivas técnica, poética e social, com especial menção ao texto fluído de Nestrovski, ‘O samba mais bonito do mundo’. A obra foi lançada em 16 de março pela Editora 34.

Outro lançamento relevante é ‘Dossiê Nora Ney – Uma voz poética e política – 100 anos’, organizado por Raphael Fernandes e Lopes Farias. Esta coletânea de nove textos inéditos ilumina a trajetória da importante cantora carioca Nora Ney, que se projetou nos anos 1950 como intérprete de sambas-canção do quilate de ‘Ninguém me ama’. O dossiê ressalta marcos de sua carreira, como a gravação do primeiro rock no Brasil em 1955 – tema abordado pela jornalista Chris Fuscaldo – e, documentalmente, aprofunda-se na militância política da artista, revelando seu posicionamento assumidamente de esquerda. Além disso, temas como aborto e violência doméstica, pouco associados à sua vida pública, também são abordados, contextualizando Nora Ney no Brasil progressista e conservador dos anos 1950. O livro foi publicado em 25 de abril pela editora Garota FM Books.

No universo instrumental, ‘O piano brasileiro de Marcos Ariel’, escrito pelo jornalista Miguel Sá com a colaboração do próprio Marcos Ariel, traça a biografia do pianista e compositor carioca nascido em 1952. Com textos introdutórios de George Vidor e Luis Antonio Cunha, a obra detalha o percurso de Ariel desde a infância até sua entrada profissional na música em 1981, com o lançamento do álbum ‘Bambu’. Repleto de fartas reproduções de fotos e reportagens, o livro explora a jornada musical de Ariel, com forte ênfase em sua exploração do choro e do jazz, gêneros aos quais ele é frequentemente associado. Lançado em 7 de maio pela Editora Jaguatirica, é o primeiro volume da ‘Coleção Música Brasileira’.

Complementando os lançamentos, ‘Nem tanto esotérico assim – Seis vezes Gil’, de Tom Cardoso, segue a bem-sucedida fórmula de obras anteriores sobre Caetano Veloso e Chico Buarque. O jornalista Tom Cardoso perfila a vida e obra de Gilberto Gil através de seis ensaios temáticos, que exploram o artista sob as lentes da censura, família, negritude, poder, política e, naturalmente, a deusa música. Sem os rigores exigidos por biografias de caráter investigativo, o livro compila informações já conhecidas e oferece um panorama da discografia de Gil, com capas de álbuns e listas de músicas e compositores, cobrindo um período de 60 anos, de 1962 a 2022. O lançamento ocorreu em 11 de maio pela Editora 34.

Estes quatro títulos representam um valioso acréscimo ao estudo e apreciação da música brasileira, garantindo que a riqueza e complexidade de seus criadores e obras continuem sendo exploradas e celebradas pela crítica e pelo público.

Fonte: Cultura e Arte – G1

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