A renomada chef Renata Vanzetto, que faz sua estreia como mentora no aguardado programa ‘Chef de Alto Nível’ – uma coprodução da Globo e do GNT com Ana Maria Braga no comando –, abriu o jogo sobre os desafios e as dores de sua trajetória em um recente episódio do ‘Conversa com Bial’. Ao lado do aclamado crítico gastronômico Arnaldo Lorençato, Vanzetto revelou um percurso marcado por vulnerabilidades, desde a infância na Ilhabela até o amadurecimento diante do poder de decisão e das críticas que moldaram sua carreira.
Vanzetto, que hoje comanda 11 empreendimentos na elite gastronômica da Bela Cintra, em São Paulo, e é mãe de três filhos, teve um começo que poucos imaginam. Criada à beira-mar na Ilhabela, seu amor pela cozinha nasceu com a avó, Cida. Contudo, seu conhecimento formal sobre o universo gastronômico era, segundo ela própria, “cru”. A chef confessou a Bial que não sabia quem era Alex Atala – hoje seu companheiro de bancada no reality. Foi a tia Susana Vanzetto quem a tirou do que chamou de “bicho do mato total”, enviando e-mails com biografias de grandes chefs e a incentivando a se aprofundar, inclusive a ponto de juntar dinheiro por meses para jantar no prestigiado D.O.M., de Atala, marcando o início de uma jornada de descobertas e ambições.
Aos 20 anos, Renata trocou a casa com “pé na grama” em Ilhabela por um pequeno apartamento em São Paulo, um passo que descreveu como “um terror por mil motivos”. Longe do namorado, em uma cidade desconhecida e imersa em questões pessoais, o maior choque, segundo a chef, foi a avalanche de críticas que recebeu. “Na Ilhabela, isso não existia, imagina. Eu nem sabia que isso existia”, desabafou. Com apenas uma semana na capital, um artigo de página inteira no jornal O Estado de São Paulo, com sua foto, a atingiu em cheio. Aos 20 anos, em um ambiente novo e agressivo, Renata precisou aprender rapidamente a lidar com a exposição e os julgamentos públicos.
Inicialmente, as críticas, mesmo as “leves cutucadinhas”, a derrubavam. “Chorava, não queria ir trabalhar no dia seguinte. Um terror”, relembrou. Sem “pegada nem maturidade”, Renata encontrou novamente na tia Susana um porto seguro. Susana não apenas a confortava, mas a ensinava a interpretar os comentários, distinguindo o que era construtivo do que era apenas ruído. Essa mentoria crucial permitiu que Vanzetto transformasse o sofrimento em aprendizado, pavimentando o caminho para a resiliência que hoje a caracteriza no exigente cenário da alta gastronomia.
A discussão sobre crítica ganhou profundidade com a participação de Arnaldo Lorençato, um dos mais respeitados críticos gastronômicos do país, com 33 anos de carreira na revista Veja. Lorençato, que frequenta restaurantes diariamente, sete dias por semana, revelou que o “mercado está bem mais maduro” atualmente, mas nem sempre foi assim. No passado, seus comentários afiados já geraram pedidos por sua demissão, com pessoas escrevendo diretamente aos donos da editora. “As pessoas eram meio absolutistas: ‘olha, demite, ele não sabe nada’”, contou, destacando a pressão e a incompreensão que críticos enfrentavam, um paralelo intrigante com a experiência inicial de Renata.
No contexto de ‘Chef de Alto Nível’, Renata Vanzetto se deparou com um novo tipo de pressão: a eliminação de participantes. A chef descreveu o processo como doloroso no início, onde cada saída de um competidor que ela havia votado representava a quebra de um sonho, fazendo-a “desabar”. Contudo, surpreendentemente, o ser humano é adaptável. “É muito louco como a gente vai se acostumando, né?”, observou. No desfecho das gravações, Vanzetto admitiu que já não chorava mais e, de forma chocante, percebeu um “gostinho da crueldade” em seu papel. “É um papel difícil para mim. É difícil criticar, eu nunca fiz isso na vida”, confessou, enfatizando o contraste com sua rotina de estar sempre “atrás do balcão”, criando, e não julgando a ponto de enviar alguém para casa.
A jornada de Renata Vanzetto, de uma jovem inexperiente na Ilhabela a uma figura proeminente da gastronomia nacional, é um testemunho de resiliência e adaptação. Do “bicho do mato” que não conhecia Alex Atala ao paladar que agora decide o destino de aspirantes a chef, ela demonstra que a alta gastronomia não é apenas sobre técnica, mas também sobre a capacidade de suportar o fogo cruzado das críticas e o peso das decisões, transformando cada desafio em um ingrediente fundamental para o seu próprio amadurecimento.
Fonte: GShow Receitas



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