A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Unha e Carne, resultando na prisão do pastor Marcio Poncio nesta quinta-feira (2), na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A detenção do líder religioso faz parte de uma complexa investigação que apura sua suposta ligação com a poderosa ‘Máfia do Cigarro’, um esquema criminoso de grande alcance no estado.
Os mandados de prisão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e além de Poncio, também visam o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho – apontado como o ‘capo’ da nova cúpula do jogo do bicho e chefão da máfia – e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já se encontravam encarcerados. Esta fase da operação intensifica a apuração de indícios de lavagem de dinheiro e resultou no bloqueio de bens e valores que somam até R$ 22 milhões.
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025, inserida no contexto da ADPF 635/RJ, a ‘ADPF das Favelas’, que determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre grupos criminosos violentos no Rio de Janeiro e suas conexões com agentes públicos. As primeiras fases focaram em um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho, que teria comprometido operações e beneficiado investigados.
O ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, foi um dos primeiros alvos da operação, preso em dezembro de 2025 sob a acusação de vazar dados sensíveis da Operação Zargun. Apesar de ter sido solto dias depois com medidas cautelares, Bacellar foi novamente detido em março de 2026, após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
As investigações também apontaram para o envolvimento do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), preso na 2ª fase da operação. A suspeita é que o magistrado tenha repassado informações a Bacellar, que por sua vez, as teria transmitido a TH Joias, articulador político da facção e já preso na Operação Zargun. A Polícia Federal encontrou evidências de uma relação próxima e troca de favores entre o desembargador e o então deputado.
Em maio de 2026, a 4ª fase da operação prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante), suspeito de comandar um esquema de fraudes na Secretaria Estadual de Educação do RJ (Seeduc). As irregularidades incluíam direcionamento de contratações para empresas previamente selecionadas, ligadas ao esquema, para a compra de materiais e aquisição de serviços em escolas estaduais da Diretoria Regional Noroeste da Seeduc.
A Operação Unha e Carne é um desdobramento da Operação Fumus, de junho de 2021, que inicialmente mirava o monopólio de cigarros no Grande Rio e tinha Adilsinho como alvo. Naquela ocasião, a PF encontrou planilhas com ‘supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais’, o que chamou a atenção dos investigadores para possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do RJ. A TV Globo apurou que pelo menos 20 políticos estão sendo investigados por receberem mesada de Adilsinho, que só foi preso quase cinco anos depois, em fevereiro deste ano, em Cabo Frio.
A Operação Unha e Carne se intensifica, revelando uma complexa teia de corrupção e ligações entre o crime organizado e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Rio de Janeiro, com o objetivo de desmantelar o que a PGR descreve como uma ‘cadeia de proteção institucional ao crime organizado’.
Fonte: *Google Trends*