Porto Feliz, no interior de São Paulo, abriga o único criatório de jacarés do estado, especializado na produção de carne para consumo. A instalação gerencia todo o ciclo da espécie jacaré-do-papo-amarelo, desde a reprodução até a comercialização do produto final.
Os ovos de jacaré, caracterizados por uma textura áspera e formato alongado, possuem uma particularidade: os filhotes são capazes de emitir sons ainda dentro da casca, pouco antes da eclosão. Em São Paulo, a postura dos ovos ocorre tipicamente no final de novembro, e os nascimentos se concentram entre o fim do verão e o início do outono.
De acordo com o veterinário Luís Basseti, cada ninhada resulta em aproximadamente 25 ovos. Estes são transferidos para incubadoras com temperatura e umidade controladas, ambiente onde é possível influenciar o sexo dos filhotes. Ajustes na temperatura permitem determinar o gênero com uma taxa de acerto de 90%. Temperaturas mais baixas (entre 28°C e 29°C) e mais altas (entre 33°C e 34°C) tendem a produzir machos, enquanto temperaturas intermediárias (entre 30°C e 32°C) resultam em fêmeas. Este fenômeno ocorre devido à influência da temperatura no metabolismo celular dos embriões. O período de incubação dura até três meses, em caixas de palha, até a eclosão.
A carne de jacaré é comercializada para supermercados, churrascarias e restaurantes, com um preço médio de R$ 125 por quilo. Os cortes mais procurados incluem costelas, filés da cauda e do lombo, além de iscas preparadas a partir do pescoço e das patas. Jacarés inteiros são também disponibilizados para grandes eventos, sendo a carne consumida em churrascos ou crua, em preparações como ceviches.
Além da carne, a produção busca o aproveitamento integral do animal. Aparas, ossos e vísceras são transformados em ração, enquanto a gordura é utilizada como ingrediente na fabricação de embutidos de jacaré.
Fonte: GLOBO RURAL



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