Recorde de Calor: O Que Esperar Até 2030?

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu um alerta significativo, indicando que as temperaturas médias globais devem se manter em níveis recordes ou próximos deles entre os anos de 2026 e 2030. Há uma alta probabilidade de que, nesse período, o aquecimento global exceda temporariamente o limite de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, uma meta crucial estabelecida pelo Acordo de Paris em 2015.

Um relatório recente da agência da ONU, divulgado nesta quinta-feira, aponta que existe uma chance de 75% de que a média de temperatura do quinquênio analisado supere esse patamar. Além disso, a probabilidade de que pelo menos um desses anos rompa individualmente o limite de 1,5 °C é ainda maior, atingindo 91%. A OMM já havia revelado, em março, que o período de 2015 a 2025 configurou os 11 anos mais quentes já registrados na história.

O estudo, que contou com a colaboração do serviço meteorológico britânico Met Office, também projeta uma possibilidade de 86% de que um dos próximos cinco anos supere 2024 como o ano mais quente já documentado. Em 2024, a temperatura média global registrou 1,55 °C acima dos níveis pré-industriais. Para o quinquênio subsequente, a projeção de aquecimento varia entre 1,3°C e 1,9°C. Especialistas atribuem parte desse cenário à provável ocorrência de um “super El Niño” em 2026, fenômeno que pode intensificar ainda mais as temperaturas globais e elevar as chances de 2027 estabelecer um novo recorde de calor. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico equatorial, já contribuiu para a intensificação de eventos climáticos extremos em anos recentes.

No entanto, o boletim da OMM ressalta que é “extremamente improvável” – com menos de 1% de chance – que a temperatura média da superfície global ultrapasse a média de 1850-1900 em mais de 2°C em qualquer um dos próximos cinco anos. O relatório também detalha os impactos regionais desse aquecimento, prevendo, por exemplo, um aumento mais acentuado das temperaturas no Ártico, que podem ficar cerca de 2,8 °C acima da média recente no inverno. Além disso, são esperadas mudanças nos padrões de precipitação, com mais chuvas em regiões de altas latitudes do hemisfério norte e condições mais secas em áreas como a Amazônia.

Apesar dos alertas, a OMM faz uma distinção importante: ultrapassagens pontuais do limite de 1,5°C não implicam, por si só, que as metas de longo prazo do Acordo de Paris estejam fora de alcance. Contudo, a organização enfatiza que esses episódios devem se tornar progressivamente mais frequentes à medida que o aquecimento global avança. A escolha do limite de 1,5°C no Acordo de Paris não é arbitrária. O esforço para conter o aumento das temperaturas abaixo desse patamar é fundamental, pois, quanto mais o planeta aquece, maior a exposição das populações a ondas de calor mortais, das nações à elevação do nível do mar e dos ecossistemas ao colapso. Por exemplo, o risco de perdas irreversíveis de ecossistemas marinhos e costeiros é substancialmente maior quando o limiar de 1,5 °C é superado.

Um relatório divulgado no mês passado pela iniciativa internacional de cientistas Atribuição Climática Global e pela organização de pesquisa Climate Central revelou que, desde a assinatura do Acordo de Paris, o mundo já aqueceu 0,3 °C. Mesmo esse aparente pequeno incremento traduz-se em 11 dias adicionais por ano com temperaturas mais elevadas do que o normal, demonstrando a urgência da ação climática.

Fonte: BAND JORNALISMO

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