[VÍDEO] Câncer Colorretal: Diagnóstico Precoce Salva Vidas

O jornalista Chico Pinheiro, ex-âncora do Bom Dia Brasil, revelou recentemente ter sido diagnosticado com câncer de intestino. Aos 72 anos, Pinheiro compartilhou sua experiência de uma cirurgia com complicações e um período na UTI, ressaltando a importância de perceber a vulnerabilidade humana e a necessidade de paciência no processo de cura. Sua vivência lança luz sobre uma doença de alta incidência no Brasil, o câncer colorretal, que exige atenção redobrada da população e das autoridades de saúde.

O câncer colorretal desenvolve-se no intestino grosso (cólon) ou no reto, sendo o adenocarcinoma o tipo mais comum. Em aproximadamente 90% dos casos, ele se origina de pólipos que, se não identificados e tratados, podem evoluir para malignidade ao longo dos anos. Dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028 são alarmantes, estimando cerca de 53.810 novos casos anuais no Brasil. A doença ocupa a segunda posição entre os tumores mais incidentes em homens (10,3%) e mulheres (10,5%), excluindo o câncer de pele não melanoma, evidenciando uma “epidemia silenciosa” que requer intervenção urgente.

Um dos maiores entraves no combate ao câncer colorretal no Brasil é o diagnóstico tardio. Mais de 80% dos pacientes são diagnosticados em estágios avançados (3 e 4), frequentemente em situações de emergência, como obstrução ou perfuração intestinal. O oncologista Alexandre Jácome, líder nacional da especialidade de tumores gastrointestinais da Oncoclínicas, explica que a doença pode ser silenciosa, mas quando os sintomas surgem, incluem alteração nos hábitos intestinais, sangramento retal, sangue nas fezes, cólicas abdominais, fadiga e perda de peso sem motivo aparente. Infelizmente, muitos ignoram esses sinais ou os confundem com outras condições benignas, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável, postergando a busca por ajuda médica. Essa demora reduz drasticamente as chances de cura, que podem superar 90% em detecção precoce e cair para menos de 15% em fases avançadas.

Especialistas são enfáticos ao afirmar que grande parte dos casos de câncer colorretal poderia ser prevenida através de mudanças no estilo de vida. A doença está intrinsecamente ligada a fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles que dependem de escolhas comportamentais individuais. Um estudo da Organização Mundial da Saúde reforça que 40% dos casos de câncer no mundo estão associados a causas evitáveis, e o câncer colorretal figura entre os três tipos com maior potencial de prevenção. Entre os principais vilões estão a alimentação inadequada (alto consumo de carne vermelha e processada, baixa ingestão de fibras), obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e o aumento da ingestão de alimentos ultraprocessados. A mudança nos hábitos alimentares da população brasileira, aliada ao sedentarismo crescente e à obesidade, cria um cenário propício para o desenvolvimento desse tipo de tumor, alerta o Dr. Jácome.

A colonoscopia é o “padrão-ouro” para a detecção precoce do câncer colorretal, permitindo não apenas identificar tumores em fase inicial, mas também remover pólipos benignos que podem se tornar malignos. A recomendação é que pessoas a partir dos 45-50 anos, ou antes em caso de histórico familiar, realizem o exame de rastreamento. Testes de sangue oculto nas fezes também são ferramentas importantes para triagem inicial. Contudo, a cobertura populacional de rastreamento no Brasil é preocupantemente baixa, enfrentando grandes demoras na realização de exames, carência de centros especializados fora dos grandes centros urbanos e um vasto desconhecimento da população sobre a relevância da prevenção. O Dr. Jácome enfatiza que após os 50 anos, a chance de pólipos aumenta significativamente, justificando a idade como critério para o rastreio ativo. Grupos de risco, como aqueles com histórico pessoal ou familiar da doença, devem redobrar a atenção e buscar controles periódicos mais cedo.

A problemática do câncer colorretal no Brasil é acentuada pelas profundas desigualdades regionais. Enquanto Sul e Sudeste concentram infraestrutura e acesso mais rápido a diagnósticos, Norte e Nordeste sofrem com a carência de estrutura e profissionais. Essa disparidade resulta em diagnósticos ainda mais tardios e menores taxas de sobrevida. O especialista critica a dificuldade de acesso a colonoscopias e centros adequados, realidade da maioria dos brasileiros. Apesar dos desafios, há esperança nos avanços terapêuticos. O tratamento evoluiu consideravelmente, incluindo cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. A análise genômica do tumor também permite personalizar o tratamento, aumentando as chances de resposta e reduzindo a toxicidade. Essas opções, indicadas conforme o estágio da doença e características moleculares, reforçam que o câncer colorretal possui altas chances de cura quando diagnosticado precocemente.

Para o Dr. Alexandre Jácome, a mensagem é clara: o câncer colorretal é altamente evitável e curável com detecção precoce. Ele exige uma combinação de mudanças individuais e políticas públicas eficazes. Campanhas de conscientização massivas sobre sintomas e rastreamento, ampliação do acesso à colonoscopia no SUS e a promoção de estilos de vida saudáveis são cruciais. Medidas simples como aumentar o consumo de fibras, reduzir carne vermelha e processada, praticar exercícios regularmente, manter o peso adequado e não fumar podem salvar vidas. O INCA reitera que investir em prevenção primária e diagnóstico oportuno é investir em vidas. “O câncer colorretal não é uma sentença. Com prevenção, diagnóstico precoce e acesso a tratamento adequado, é possível reverter a curva de crescimento dessa doença e salvar milhares de vidas a cada ano”, conclui o oncologista.

Fonte: www.bastidoresdatv.com.br

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