O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), senador Carlos Viana (Podemos-MG), negou veementemente a existência de indícios que liguem a Igreja Batista da Lagoinha a repasses de dinheiro desviado. Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, Viana afirmou que, até o momento, não há qualquer conexão direta que comprove o recebimento de verbas ilícitas do INSS pela instituição religiosa. “Não há até o momento qualquer ligação de que a igreja tenha recebido o dinheiro do INSS”, declarou.
A Igreja Batista da Lagoinha entrou no radar da CPMI após desdobramentos da investigação que revelaram uma relação da entidade com a Mar Brasil Clube de Benefícios, uma empresa sob apuração que teria financiado um evento promovido pela igreja. Outro elemento que aproximou a instituição religiosa das apurações envolve a atuação da fintech Clavafort Bank, de Fabiano Zettel — sócio e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, e ex-pastor da própria Lagoinha. No entanto, Viana enfatizou que a ligação de um pastor investigado com uma “igreja separada” era distinta da instituição principal.
A CPMI, segundo o senador, está investigando outras três igrejas por indícios de lavagem de dinheiro, e os parlamentares já possuem acesso aos dados decorrentes da quebra de sigilo dessas instituições. Viana esclareceu que as apurações mostraram que “outras três, incluindo a Lagoinha, tinham pessoas investigadas que fizeram contribuições”, e que todos os sigilos bancários dos indivíduos sob suspeita foram quebrados e estão à disposição daqueles que estão fazendo os requerimentos.
Apesar de suas declarações desvinculando a igreja dos desvios, o senador Carlos Viana possui uma notável proximidade com a Igreja da Lagoinha. Ele destinou R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares a uma fundação da igreja vinculada ao pastor André Valadão. Um dos repasses, no valor de R$ 1,5 milhão em 2019, foi feito para a Prefeitura de Belo Horizonte via “emenda Pix” com destino final à Fundação Oasis, que é parte da instituição religiosa, levantando questionamentos sobre a relação entre o parlamentar e a entidade religiosa em meio às investigações.
Fonte: POLITICA – Revista Oeste



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